Deputado federal afirma que deixou o Avante por desalinhamento ideológico, defende atuação mais combativa nas redes e diz que eleição presidencial ainda está indefinida apesar de favoritismo de Lula.

Ana Beatriz Publicado em 04/05/2026, às 11h01
O deputado federal André Janones anunciou sua saída do Avante e filiação à Rede Sustentabilidade, citando divergências ideológicas e a aproximação do partido com pautas da direita como razões para a mudança, o que impactou sua base eleitoral.
Janones busca um alinhamento com o campo progressista e liberdade de atuação política, destacando a importância de uma comunicação eficaz nas redes sociais, onde sua presença é forte e combativa.
Ele se posiciona como pré-candidato à reeleição e critica a comunicação da esquerda, que, segundo ele, falha em conectar-se com o eleitorado, além de expressar preocupações sobre o uso de inteligência artificial nas eleições e seus riscos para a democracia.
O deputado federal André Janones confirmou sua saída do partido Avante e a recente filiação à Rede Sustentabilidade, apontando divergências ideológicas como principal motivo da mudança. Segundo ele, a antiga sigla teria se aproximado de pautas da direita nos últimos anos, o que gerou desgaste político e impacto eleitoral direto em sua base.
Janones afirmou que a decisão foi estratégica para alinhar sua atuação ao campo progressista, mantendo, ao mesmo tempo, liberdade de atuação política. O parlamentar destacou que buscava um partido que não limitasse sua comunicação, especialmente nas redes sociais, onde construiu forte presença e estilo combativo.
De acordo com o deputado, sua atuação direta e confrontadora não encontraria o mesmo espaço em partidos mais estruturados, como o PT, ao qual já foi filiado entre 2002 e 2015. Ele argumenta que o momento político exige enfrentamento mais direto, principalmente diante do cenário de polarização que, em sua avaliação, coloca a democracia sob pressão.
No campo eleitoral, Janones afirmou que é pré-candidato à reeleição como deputado federal, mas não descarta disputar outros cargos caso seja necessário dentro da estratégia partidária em Minas Gerais. Ele citou a possível candidatura do senador Rodrigo Pacheco como peça-chave na formação de palanque no estado.
Ao analisar o cenário presidencial, o parlamentar adotou um discurso considerado realista. Apesar de apontar o presidente Lula como provável vencedor, reforçou que a eleição está aberta e distante de ser definida. Para ele, o erro de parte da militância é tratar o processo como resolvido, o que pode comprometer o desempenho eleitoral.
Janones também chamou atenção para a força da comunicação política da direita, que, segundo ele, supera a esquerda em construção de narrativa. O deputado afirmou que, atualmente, a percepção do eleitor não está diretamente ligada à entrega de políticas públicas, mas sim à forma como elas são comunicadas.
Ele citou exemplos de distorção na percepção popular, onde melhorias concretas na vida das pessoas não se traduzem em avaliação positiva do governo. Para Janones, isso evidencia uma falha estrutural na comunicação do campo progressista.
Outro ponto central da entrevista foi o impacto das redes sociais na política. O deputado relatou que conteúdos relacionados a realizações concretas, como aprovação de projetos de lei, têm baixo engajamento, enquanto conteúdos mais polêmicos ou confrontativos atingem milhões de visualizações.
Segundo ele, esse fenômeno cria um incentivo distorcido para a atuação política, favorecendo a superficialidade e a chamada “lacração” em detrimento do debate técnico.
Janones também criticou o que chamou de elitização da esquerda, afirmando que parte do campo progressista se afastou da linguagem popular e das pautas centrais da população mais pobre. Para ele, esse distanciamento abriu espaço para que a direita ocupasse territórios importantes, como comunicação direta e conexão emocional com o eleitor.
No debate sobre segurança pública, o deputado afirmou que a direita se apropria de discursos simplificados e de forte apelo emocional, enquanto a esquerda enfrenta dificuldades para comunicar propostas mais complexas baseadas em dados e políticas públicas estruturadas.
Ele também abordou o tema da jornada de trabalho 6 por 1, defendendo o fim desse modelo e criticando o argumento de que a mudança prejudicaria a economia. Para Janones, o debate precisa considerar o impacto na vida do trabalhador e não apenas os custos para o setor empresarial.
Por fim, o deputado demonstrou preocupação com o uso de inteligência artificial nas eleições, classificando o cenário como um dos maiores desafios recentes para a democracia. Ele alertou para a dificuldade de identificar conteúdos falsos e para o risco de manipulação eleitoral por meio de deepfakes e desinformação em larga escala.
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