Deputado do PL passa a responder a duas representações por violência política e quebra de decoro após confronto com parlamentares

Erika Osti Publicado em 24/02/2026, às 16h02
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou nesta terça-feira (24), a abertura de dois processos disciplinares contra o deputado estadual Lucas Bove, do PL, que podem resultar na perda do mandato. As representações foram apresentadas por deputadas do PSOL após um bate-boca ocorrido no plenário em setembro do ano passado e incluem acusações de violência política de gênero, racismo e quebra de decoro. Com a decisão, os casos seguem agora para relatoria e, posteriormente, para votação no plenário da Casa.
A primeira representação foi protocolada pela deputada Ediane Maria contra Bove e o deputado Tenente Coimbra, ambos do PL. O processo aponta suposta quebra de decoro, violência política de gênero e racismo. O relator designado é o deputado Eduardo Nóbrega, do Podemos.
A segunda ação foi apresentada pela deputada Mônica Seixas, também do PSOL e integrante do Movimento Pretas, que acusa Bove de violência política. Neste caso, o relator será o deputado Emídio de Souza, do PT. O pedido foi aprovado por unanimidade no colegiado.
Os processos têm origem em um episódio de forte discussão no plenário da Alesp. Na ocasião, Bove elevou o tom contra parlamentares mulheres e chegou a gritar durante o confronto. As deputadas classificaram a postura como descontrole e sustentam que a conduta do parlamentar tenta inviabilizar a atuação feminina na Casa.
Além das representações, Bove também responde a um processo na Justiça comum. Ele se tornou réu no Tribunal de Justiça de São Paulo por violência doméstica e psicológica contra a ex-esposa, a influenciadora Cíntia Chagas. Há ainda investigação do Ministério Público Federal por violência política de gênero, segundo as parlamentares.
Durante a mesma sessão do Conselho de Ética, foi arquivado um pedido de cassação apresentado pela deputada Paula Nunes, do PSOL. Também foram rejeitadas representações contra as deputadas Paula Nunes e Mônica Seixas.
Em nota, Lucas Bove afirmou que é alvo de perseguição política e disse que a denúncia decorre de uma “discussão acalorada em plenário, corriqueira na política e sem qualquer tipo de violência”. O parlamentar também criticou o que chamou de dois pesos e duas medidas contra parlamentares bolsonaristas.
Caso os relatórios sejam aprovados pelo Conselho de Ética e confirmados pelo plenário, as punições possíveis vão de advertência à cassação definitiva do mandato.
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