O ex-policial militar confessou o crime em delação gravada

Manoela Cardozo Publicado em 27/05/2024, às 11h41
O ex-policial militar Ronnie Lessa confessou os assassinatos da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes em depoimento à polícia, conforme veiculado no programa Fantástico da TV Globo no último domingo (26).
Conforme informações da CNN Brasil, Lessa afirmou que os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão ofereceram a ele e a um de seus comparsas, conhecido como Macalé (o também ex-PM Edmilson de Oliveira, assassinado em 2021), um loteamento clandestino na zona oeste do Rio de Janeiro como pagamento pela morte de Marielle. Esse loteamento incluiria a exploração de serviços como "gatonet", venda de gás e transporte de moradores.
“Era muito dinheiro envolvido. Na época, ele falou em R$ 100 milhões que, realmente, as contas batem. R$ 100 milhões seria o lucro do loteamento. São 500 lotes de cada lado. Na época, daria mais de US$ 20 milhões”, disse.
“Foi um impacto. Ninguém recebe uma proposta de receber US$ 10 milhões simplesmente para matar uma pessoa”, continuou Lessa.
Lessa apontou Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, deputado federal, como os mandantes dos assassinatos de Marielle e Anderson. Segundo Lessa, ele se encontrou três vezes com Domingos e Chiquinho Brazão em uma avenida na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, onde discutiram a motivação para assassinar a vereadora.
“Então, na verdade, eu não fui contratado para matar a Marielle, como um assassino de aluguel. Não, eu fui chamado para uma sociedade. A Marielle foi colocada como uma ‘pedra no caminho’. Ela teria convocado algumas reuniões ou uma reunião com várias lideranças comunitárias, se não me engano, no bairro de Vargem Grande ou Vargem Pequena, em Jacarepaguá, justamente para falar sobre essa situação, para que não houvesse adesão a novos loteamentos da milícia. Isso foi o que o Domingos passou para a gente: ‘A Marielle vai atrapalhar e nós vamos seguir isso aí. Para isso, ela tem que sair do caminho’”, explicou.
No entanto, a Polícia Federal (PF) não conseguiu comprovar que esses encontros ocorreram, conforme relatado no Fantástico.
Lessa, que não foi condenado, está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, desde dezembro de 2020. Sua delação foi homologada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em março deste ano.
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