Polícia Civil do Distrito Federal prendeu, nesta terça-feira (28), um pastor acusado de estuprar e torturar suas três filhas e um enteado, que tinham entre 6 e 7 anos de idade na época dos crimes

William Oliveira Publicado em 29/10/2025, às 11h49
Nesta terça-feira (28), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) realizou a prisão de um pastor acusado de cometer atos de abuso sexual e tortura contra suas filhas e enteados menores de idade. O indivíduo, que exercia suas atividades religiosas em uma igreja localizada em Santo Antônio do Descoberto (GO), teria perpetrado os crimes em sua residência no Recanto das Emas (DF) entre os anos de 2010 e 2018. Na época, as vítimas tinham idades que variavam entre 6 e 7 anos.
A operação, batizada de "Falso Profeta", foi iniciada por volta das 15h30 pela equipe da Seção de Atendimento à Mulher (SAM) da 27ª Delegacia de Polícia (DP). Ao ser informado sobre sua prisão iminente, o pastor tentou o suicídio enquanto estava em seu local de trabalho, mas foi socorrido por colegas e levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em São Sebastião, onde finalmente foi detido.
Os crimes foram denunciados pelas vítimas somente neste ano, após uma abordagem do Conselho Tutelar do Recanto das Emas. As crianças relataram que permaneceram em silêncio devido à falta de conhecimento sobre seus direitos legais, ao medo pela segurança de suas mães, além da pressão exercida por familiares para não revelarem os abusos. Ao todo, quatro menores apresentaram denúncias, relatando que os abusos ocorreram tanto em momentos de sobriedade do pastor quanto quando ele estava sob efeito de substâncias psicoativas.
O delegado-chefe da 27ª DP, Alexandre Godinho, afirmou que a prisão representa um rompimento com um ciclo prolongado de violência.
"O autor explorava a fé e se aproveitava do laço de sangue para cometer os estupros e tentar ficar impune. No entanto, a investigação conseguiu provar os crimes", comentou Godinho.
Entre as vítimas, três eram filhas do pastor e uma era sua enteada. Os relatos indicam que o pastor forçava suas filhas a presenciar umas às outras sendo violentadas e as obrigava a realizar práticas humilhantes após os abusos. De acordo com as declarações prestadas à polícia, ele ainda fazia com que as crianças orassem com as mãos sobre a Bíblia como uma forma distorcida de justificar seus atos.
A quarta vítima, um enteado do pastor, sofreu agressões físicas severas, resultando em traumas físicos e psicológicos significativos. O jovem foi alvo de torturas utilizando arame farpado, o que lhe causou deformidades permanentes. As violências eram aplicadas como uma forma de coerção para impedir que ele denunciasse os abusos.
As vítimas finalmente conseguiram buscar ajuda após a intervenção do Conselho Tutelar, que desempenhou um papel crucial na formalização das denúncias.
Atualmente, o suspeito encontra-se detido e à disposição da Justiça na 27ª DP e enfrentará acusações de estupro de vulnerável, atentado violento ao pudor majorado e tortura.
Confira o momento da prisão:
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