Diário de São Paulo
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Operador financeiro do PCC tinha caixa de dinheiro com nome de Deolane, diz Tarcísio

Investigação aponta mais de 50 transferências para contas ligadas à influenciadora, que somariam aproximadamente R$ 700 mil

Caso investiga conexões entre a influenciadora e integrantes da cúpula do PCC - Imagem: Reprodução
Caso investiga conexões entre a influenciadora e integrantes da cúpula do PCC - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 21/05/2026, às 14h04


O homem preso nesta quinta-feira (21), apontado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (Primeiro Comando da Capital (PCC)), mantinha uma caixa de dinheiro com o nome da influenciadora Deolane Bezerra, segundo informou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

A declaração foi feita durante agenda oficial em Bauru, no interior paulista, ao comentar os desdobramentos de uma operação da Polícia Civil que também teve como alvos nomes ligados à facção e pessoas investigadas por suposta atuação em um esquema de lavagem de dinheiro. 

O suspeito preso foi identificado como Everton de Souza, conhecido pelos apelidos “Player” e “Temer”. Ele é apontado pelas investigações como intermediário financeiro responsável por gerenciar repasses e direcionar valores a integrantes da cúpula da organização criminosa, incluindo lideranças já conhecidas no meio policial, como Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Acerto mensal

Segundo a apuração, Everton atuava na estruturação de pagamentos e na movimentação de recursos por meio de empresas de fachada e contas de terceiros. Ele teria ligação com uma transportadora usada como frente para operações financeiras e orientava a realização de depósitos fragmentados, mecanismo que dificulta o rastreamento do dinheiro.

As apurações também apontam para dezenas de transferências ligadas ao esquema, realizadas em sua maioria de forma fracionada e por meio de intermediários. No total, os investigadores identificam mais de 50 depósitos em contas associadas à influenciadora, que somariam cerca de R$ 700 mil.

"Pejotização do crime"

Segundo o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, Deolane eria aberto 35 empresas no mesmo endereço com objetivo de ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento por parte das autoridades.

O endereço citado é uma residência localizada em Martinópolis, no interior de São Paulo. Gakiya classificou o fenômeno como uma espécie de “pejotização do crime organizado”, afirmando que a criação sucessiva de empresas seria uma estratégia para multiplicar camadas de ocultação e impedir a identificação da origem dos valores. 

Prisão

Deolane Bezerra foi presa durante a operação e é investigada por possível participação no esquema de lavagem de dinheiro. Durante a ação policial, veículos de luxo foram apreendidos em sua residência, na região de Alphaville, na Grande São Paulo.

As autoridades afirmam que a ofensiva faz parte de uma etapa mais ampla de combate à estrutura financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC), com foco em atingir o fluxo financeiro do grupo criminoso, reduzindo a capacidade de movimentação de recursos obtidos com o tráfico por meio de atividades aparentemente legais.


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