A vítima sofreu perseguição por mais de dois anos

Vitória Tedeschi Publicado em 03/10/2022, às 16h59
Um pastor de uma igreja em Botucatu (SP) foi denunciado por uma mulher de 21 anos por assédio sexual. Segundo a vítima, o homem enviava mensagens consecutivas a ela havia mais de dois anos.
Um boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade na quarta-feira (21).
De acordo com a vítima, que teve sua identidade preservada, o pastor, que é casado, enviava mensagens insinuadoras e com muitos elogios a ela desde o final de 2019. Eles frequentavam a mesma igreja.
Em uma ocasião, há cerca de um ano, a mulher foi a um culto em Areiópolis (SP), onde encontrou o suspeito. Segundo ela, ele a convidou para "tomar um vinho em uma banheira de espuma, mas sua mãe não poderia saber disso".
Após esse episódio, ela conta que se sentiu incomodada quando percebeu um cunho mais sensual nas mensagens. "Você entende quando alguém te elogia por te achar bonita e também entende quando começa a ter segundas intenções".
No primeiro momento, eu fiquei sem reação, pelo fato de que nossas famílias eram próximas, cresci perto dos filhos dele e tudo mais. Foi esse o principal motivo de eu não conseguir ter falado antes o que acontecia".
Além disso, em uma das ocasiões, em julho de 2022, o pastor escreveu: "Como eu queria…". Em seguida, a vítima questionou a mensagem. O suspeito, então, completou: "Ter 'vc' nos meus braços e te levar até as estrelas… Mas acho que é só sonho né… Te 'love' todinha".
Na sequência, ele pediu para que a mulher deletasse o conteúdo da conversa: "Apaga essas mensagens pelo amor de Deus".

Por um período, a vítima e a família decidiram mudar de igreja. Ela diz que nunca se afastou dos cultos por causa da perseguição, mas sua relação com os fiéis da comunidade foi prejudicada.
"Eu ficava um pouco mais afastada das pessoas para não deixar transparecer o que estava acontecendo, por medo de os outros perceberem".
A mulher registrou a denúncia graças ao incentivo do irmão, que era o único que sabia das mensagens. "Eu não aguentava mais manter isso só comigo. Meu irmão mais novo me ajudou a criar forças e a falar tudo para a minha família", diz.
Ela então, só retornou à primeira igreja recentemente, depois que o pastor, segundo ela, foi transferido para outro ministério.
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