Diário de São Paulo
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Metanol: PF deflagra megaoperação em cinco estados contra esquema de falsificação e adulteração de bebidas

Ação conjunta com Receita, ANP e Ministério da Agricultura busca rastrear origem do metanol usado em bebidas adulteradas que já causaram 8 mortes no país

Operação Alquimia mobiliza forças federais contra rede de falsificação - Imagem: Reprodução | Polícia Federal
Operação Alquimia mobiliza forças federais contra rede de falsificação - Imagem: Reprodução | Polícia Federal

Lívia Gennari Publicado em 16/10/2025, às 08h51


O uso de metanol em bebidas alcoólicas, que já resultou na morte de oito pessoas no Brasil, sendo seis em São Paulo e duas em Pernambuco, motivou a Operação Alquimia, deflagrada nesta quinta-feira (16), pela Polícia Federal em conjunto com órgãos parceiros, como a Receita Federal, ANP e Ministério da Agricultura e Pecuária.

A ação mobilizou equipes de fiscalização em 24 empresas distribuídas em 21 cidades de São Paulo, e outros quatro estados: Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.

O objetivo da megaoperação é rastrear a origem do metanole verificar se há ligação entre o material apreendido e amostras recolhidas em etapas anteriores da investigação. As coletas ocorrem em indústrias sucroalcooleiras, químicas, importadoras e distribuidoras da substância.

De acordo com a Receita Federal, as empresas fiscalizadas foram escolhidas com base em seu potencial envolvimento na cadeia irregular do metanol, desde a importação até o possível desvio para usos ilícitos.

Esquema ligado ao crime organizado

A operação desta quinta (16), surge como desdobramento de outras duas operações: Boyle e Carbono Oculto, que revelaram um esquema de adulteração de combustíveis envolvendo integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

As investigações anteriores mostraram que empresas químicas regulares compravam metanol importado e o repassavam a empresas de fachada, que desviavam o produto para postos de combustíveis, onde era misturado ilegalmente à gasolina.

Segundo a PF e a Receita, há fortes indícios de que parte desse combustível adulterado esteja sendo usado na fabricação clandestina de bebidas alcoólicas, ampliando o risco à saúde pública.

O combate a tais práticas ilegais não afeta apenas a saúde da população: o setor de bebidas também perde mais de R$80 bilhões todos os anos com falsificação, contrabando e produção clandestina. Com a Operação Alquimia, as autoridades federais reforçam a fiscalização e tentam desarticular toda a cadeia criminosa, desde a importação do metanol até a venda das bebidas adulteradas.


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