Latrell Brito já havia sido condenado a 26 anos por fraudes em contratos públicos; agora é alvo de prisão preventiva em nova investigação do MPSP

Lívia Gennari Publicado em 19/09/2025, às 11h51
A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva do cantor de pagode Vagner Borges Dias, conhecido como Latrell Brito ou “Pagodeiro do PCC”, acusado de fraudar uma licitação de R$ 5,5 milhões na Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos, na região metropolitana da capital.
Outros dois investigados, Antônio Carlos de Morais e Márcio Zeca da Silva, também tiveram a prisão decretada. De acordo com a decisão, os três exerciam “grande influência nas tomadas de decisão da Prefeitura, especialmente nos setores de licitação, o que justifica a prisão preventiva”.
Além de Latrell e dos dois novos alvos de prisão, sete pessoas denunciadas receberam medidas cautelares, como a proibição de manter contato entre si ou de exercer funções públicas. Entre elas está o ex-vereador de Ferraz de Vasconcelos Flávio Batista de Souza (Podemos), conhecido como Inha.
Outros parlamentares também foram investigados, como Ricardo Queixão (PSD), de Cubatão, e Luiz Carlos Alves Dias (MDB), de Santa Isabel, que chegaram a ser presos durante a ação.
Histórico com o PCC
Latrell já era alvo da Justiça por outros crimes. Em janeiro deste ano, foi preso na praia de Arembepe, na Bahia, por uso de documento falso, após permanecer nove meses foragido, ocultando bens e valores ligados ao tráfico de drogas.
Posteriormente, em julho, foi condenado a 26 anos e 8 meses de prisão pela 2ª Vara Criminal de Mogi das Cruzes, em processo sobre fraudes em licitações públicas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), no qual, ele ainda recorria em liberdade.
O cantor também foi o principal alvo da Operação Munditia, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em abril de 2024. A investigação revelou um esquema de manipulação de contratos públicos que beneficiava empresas relacionadas ao PCC.
De acordo com o MPSP, empresas ligadas a Latrell obtiveram contratos em diversas cidades paulistas, como Guarulhos, Poá, Mogi das Cruzes, Cubatão, Santos, Jaguariúna, Buri e Itatiba, além de Ferraz de Vasconcelos. O grupo simulava concorrência entre empresas de fachada para direcionar licitações e pagava propina a autoridades para garantir os contratos.
Contudo, os supostos concorrentes eram, na verdade, amigos ou funcionários de Latrell, e as propostas apresentadas já vinham previamente combinadas para favorecer as empresas envolvidas no esquema.
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