O ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, assassinado na noite de segunda-feira (15) em Praia Grande, ficou marcado por sua atuação no combate ao crime organizado e por ter sido um dos responsáveis pela prisão de Marcola, líder do PCC, episódio relatado na obra "Laços de Sangue – a História Secreta do PCC"

William Oliveira Publicado em 17/09/2025, às 13h30
O assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, ocorrido na noite de segunda-feira (15) em Praia Grande, reacendeu discussões sobre sua destacada atuação no combate ao crime organizado e seu papel na captura de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola. A operação policial está detalhada na obra "Laços de Sangue – a História Secreta do PCC", escrita pelo procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Márcio Sérgio Christino, que trabalhou com Ferraz nos anos 2000.
No livro, Christino revisita a época em que Marcola era fugitivo e procurado pela polícia por sua ligação com diversos assaltos a bancos. Conhecido pelo apelido de “Playboy”, devido ao gosto por roupas caras e carros luxuosos, Marcola ostentava seu estilo de vida publicamente.
Entre os crimes mais audaciosos atribuídos a ele está o assalto à Transprev, empresa de transporte de valores, em 1998. O golpe contou com planejamento detalhado, divisão clara de funções e monitoramento prévio dos funcionários, incluindo o sequestro de familiares como forma de pressão. A quadrilha chegou a alugar um apartamento próximo à residência do coordenador de segurança da empresa para usar como cativeiro.
No dia do assalto, os criminosos conseguiram fugir com cerca de R$ 15 milhões sem disparar um tiro. No entanto, a investigação conduzida por Ferraz e pelo delegado Alberto Pereira Matheus trouxe uma pista crucial: um recibo de conserto de óculos encontrado no lixo do apartamento da quadrilha, que permitiu rastrear Marcola através de um equipamento de comunicação chamado Bipe.
Após o roubo, Marcola se refugiou no Nordeste e depois no Paraguai. Interceptações telefônicas e análise de seus hábitos ostentatórios ajudaram a polícia a localizá-lo. Um ano depois, ele foi abordado em São Paulo ao utilizar um Chrysler Stratus e, inicialmente, apresentou documentos falsos antes de confessar sua identidade. Desde então, permanece detido.
Entretanto, a prisão não impediu a ascensão de Marcola no Primeiro Comando da Capital (PCC). Inicialmente relutante em se juntar à Casa de Custódia de Taubaté (CCT), onde a facção foi fundada em 1993, ele logo percebeu as vantagens da organização e integrou-se ao grupo. Nos anos seguintes, consolidou-se como um dos líderes mais influentes da facção.
Após se aposentar da Polícia Civil, Ruy Ferraz atuava como secretário de administração de Praia Grande e já havia sobrevivido a tentativas de assassinato devido às suas investigações rigorosas contra organizações criminosas. Ruy foi enterrado na tarde desta terça-feira (16).
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