Ele foi indiciado pela Polícia Civil do Distrito Federal

Thais Bueno Publicado em 29/11/2022, às 16h20
Um homem de 45 anos de idade, que se dizia líder religioso, foi indiciado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) pelos crimes de violação sexual mediante fraude e estupro em Brazilândia, no Distrito Federal, Brasília.
De acordo com informações da 18ª DP, de Brazilândia, concedidas ao G1, ele teria estuprado diversas vítimas enquanto realizava suspostos rituais de 'limpeza espiritual'. A polícia explicou melhor o caso:
"Sob pretexto de estar cumprindo ordens de entidade sobrenatural durante ritual de limpeza espiritual, se valendo de circunstâncias pessoais das vítimas supersticiosas, desvirtuou os rituais religiosos [...] e, com isso, praticou atos libidinosos em pelo menos quatro vítimas".
Através de um vídeo realizado, Cristiano Gomes da Silva, que também é professor de artes marciais, afirmou que é inocente. Ele diz que está sendo vítima de calúnia e negou todas as acusações.
O delegado Mozeli da Silva relatou que, na última sexta-feira (25), foi solicitado um mandado de prisão contra o suspeito. No momento, ele é considerado foragido pelas autoridades.
A Polícia Civil pediu para que quem souber alguma informação que possa ser útil nas investigações faça uma denúncia no site da PCDF ou ligue para o Disque Denúncia através do número 197.
Conforme informações coletadas pelos investigadores, Cristiano Gomes da Silva é sacerdote de uma religião de matriz afro-brasileira. As organizações religiosas comentaram na última segunda-feira (28) que repudiam esse tipo de conduta e que apoiam a investigação.
A Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno se pronunciou sobre o caso em nota oficial.
Confira na íntegra:
"A Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno, por intermédio de seu Presidente e Diretores, vem se manifestar sobre as notícias veiculadas nas mídias e redes sociais de crimes supostamente cometidos pelo Sacerdote Cristiano Gomes da Silva.
Cumpre esclarecer a comunidade de Brasília e Entorno, que as religiões de matriz africana e ameríndias repudiam veementemente qualquer tipo de atividade ilícita e que a atividade criminosa veiculada não está ligada a nenhuma prática religiosa deste segmento.
A Federação se solidariza com as possíveis vítimas e torce para que o caso seja esclarecido com a maior brevidade possível.
Entendemos que, embora tais práticas não sejam pertinentes ao culto, o quanto essas notícias causam impacto negativo e maculam a imagem das religiões Afro e Ameríndia em nosso país.
Orientamos ainda aos nossos Filiados e a Comunidade Religiosa, que não façam nenhum apontamento ou julgamento prévio sobre o presente caso, vez que a legislação pátria reserva o direito ao contraditório e a ampla defesa e que ninguém poderá ser considerado culpado até o total julgamento do caso.
No mais a Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno se coloca a disposição para eventual esclarecimento e apoio aos envolvidos".
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