Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos, foi morta em Porto Velho pelo pai, o pastor Callebe José da Silva, e pela madrasta, Ivanice Farias de Souza

William Oliveira Publicado em 02/03/2026, às 10h51
Marta Isabelle dos Santos, conhecida pela família como Martinha, de 16 anos, foi encontrada morta na noite de terça-feira (24), em uma residência no bairro Jardim Santana, zona Leste de Porto Velho (RO). O corpo apresentava sinais de tortura, desnutrição severa e maus-tratos prolongados. Segundo informações da Polícia Civil, a adolescente estava deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável, com ossos expostos, ferimentos infestados por larvas e marcas que indicam que ela havia passado dias imobilizada.
O pai da jovem, Callebe José da Silva, de 40 anos, que exercia funções de pastor na igreja frequentada pela família, confessou que mantinha Marta amarrada todas as noites com fios elétricos e a trancava dentro de casa durante o dia, alegando que a adolescente era agressiva. A madrasta, Ivanice Farias de Souza, também ligada à igreja como pastora, afirmou que o marido prendia a filha para impedi-la de sair ou namorar e disse não ter pedido ajuda por medo de ser ameaçada de morte. A avó paterna, Benedita Maria da Silva, também estava na residência e, segundo a polícia, tinha conhecimento das agressões, mas não acionou socorro.
Testemunhas relataram que Marta sofria punições constantes, incluindo cortes de cabelo forçados, e vivia sob condições degradantes. A adolescente não tinha acesso a celular, redes sociais ou contato com familiares, sendo isolada da mãe e do restante da família, que reside na Paraíba. Um vídeo que circulou nas redes sociais de uma igreja mostra Martinha cantando em um culto, tornando-se o último registro conhecido em vida.
Além dos sinais de maus-tratos físicos, os investigadores encontraram roupas e fraldas parcialmente queimadas em uma fogueira ao lado da casa, levantando suspeitas de tentativa de ocultação de provas. O caso provocou revolta nas redes sociais, especialmente por causa da narrativa inicial divulgada pela madrasta em áudios, alegando que Marta estaria “desenganada pelos médicos”, versão que contrasta com os indícios de cárcere e violência prolongada.
A família foi presa em flagrante sob suspeita de tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro. A Polícia Civil de Rondônia continua reunindo depoimentos e laudos periciais para esclarecer a dinâmica dos fatos e definir a responsabilidade de cada investigado.
Segundo parentes, Marta era uma adolescente querida, sonhadora e dedicada, que gostava de cantar na igreja e tinha planos de terminar os estudos. A tia da jovem disse ao g1:
“Martinha era muito amada. Tinha suas rebeldias de adolescente, mas era uma menina boa, sonhadora. Sonhava em estudar, terminar os estudos e construir um futuro. Nada justifica o que fizeram com ela.”
O caso segue sob investigação, e a polícia trabalha para detalhar todas as circunstâncias que levaram à morte da adolescente, incluindo a participação direta de cada membro da família detida.
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