Zambelli, foragida na Itália, é acusada de ser mentora da invasão ao CNJ e enfrenta pedido de extradição do Brasil

Gabriela Thier Publicado em 07/07/2025, às 18h22
Walter Delgatti Neto, condenado juntamente com a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), formalizou um pedido à Justiça visando a progressão para o regime semiaberto. Este regime oferece condições menos restritivas em comparação ao fechado, permitindo, por exemplo, saídas temporárias.
Após dois anos de detenção, Delgatti foi transferido em fevereiro para a P2 de Tremembé, em São Paulo. Nesse estabelecimento, ele se relaciona com outros presos de notoriedade nacional, como o ex-jogador Robinho e figuras envolvidas em crimes graves, como o ex-médico Roger Abdelmassih e o empresário Thiago Brennand.
O requerimento feito por Delgatti foi protocolado na última segunda-feira (7) e ainda não há um prazo estipulado para sua avaliação.
A defesa do hacker fundamenta o pedido citando o cumprimento de 20% da pena total de 8 anos e 3 meses, além de destacar seu "ótimo comportamento carcerário", que evidenciaria seu comprometimento com o processo de reintegração social — requisitos essenciais para a mudança de regime.
Segundo o advogado Ariovaldo Moreira, um dos propósitos de Delgatti é concluir sua graduação em Direito. O defensor também mencionou que o cliente está matriculado em um curso profissionalizante na área de almoxarife e está à espera de uma oportunidade de trabalho dentro da penitenciária.
Contexto da Invasão do CNJ
A invasão ao CNJ ocorreu em janeiro de 2023, conforme relatado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), com a intenção de minar a credibilidade do Judiciário e alimentar as controvérsias sobre as eleições de 2022.
Com a conclusão dos recursos no Supremo Tribunal Federal (STF) em junho passado, a prisão de Delgatti deixou de ser preventiva, dando início ao cumprimento da pena imposta. O hacker foi sentenciado pelo STF a 8 anos e 3 meses de prisão por ter invadido o sistema do CNJ e inserido documentos falsos, incluindo uma ordem de prisão fictícia contra o ministro Alexandre de Moraes, que teria sido "assinada" por ele mesmo.
Por sua vez, Zambelli permanece foragida na Itália. Seu nome consta na lista vermelha da Interpol e existe um pedido formal de extradição feito pelo governo brasileiro, que busca trazê-la de volta ao país para cumprir sua pena. A deputada foi apontada pela PGR como a mentora da invasão ao CNJ e condenada a 10 anos de reclusão, além da perda do mandato. Atualmente, ela encontra-se licenciada da Câmara dos Deputados enquanto aguarda a análise do seu caso pelos parlamentares.
Antes da condenação relacionada à invasão do CNJ, Delgatti já havia sido sentenciado em primeira instância a 20 anos por hackear autoridades públicas durante os desdobramentos da Operação Lava Jato. Neste último caso, investigado na Operação Spoofing, ele responde em liberdade devido à existência de recursos pendentes na segunda instância da Justiça Federal em Brasília.
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