Governador teme fragmentação do campo conservador, avalia risco de derrota dupla e tenta equilibrar pressão do bolsonarismo

Letícia Sales Publicado em 05/02/2026, às 11h20
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem manifestado a aliados preocupação com a formação da chapa da direita para a disputa ao Senado em 2026. Nos bastidores, ele defende que ao menos um dos candidatos tenha perfil mais moderado, diante do risco de a fragmentação interna abrir espaço para a vitória da esquerda nas duas vagas em jogo.
Até o momento, há consenso entre os partidos que orbitam o governo paulista de que um dos nomes será o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública do estado. A definição do segundo candidato, no entanto, permanece indefinida após a saída de Eduardo Bolsonaro (PL) da corrida eleitoral.
O deputado, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, passou a articular candidaturas mais alinhadas ao bolsonarismo, como as dos deputados Gil Diniz (PL), Mário Frias (PL) e Marco Feliciano (PL). Fora do núcleo de alianças de Tarcísio, o deputado Ricardo Salles (Novo) também aparece como opção no campo da direita.
A avaliação do governador é de que uma chapa formada apenas por nomes considerados mais radicais pode comprometer o desempenho eleitoral do grupo. Interlocutores relatam que Tarcísio teme que a direita termine sem eleger nenhum senador caso não amplie seu alcance junto ao eleitorado de centro.
No entorno bolsonarista, Flávio Bolsonaro (PL), senador e pré-candidato à Presidência, defende a escolha de um nome evangélico, o que fortalece Marco Feliciano. Aliados afirmam que Jair Bolsonaro teria prometido apoio ao pastor após ele ter sido preterido na eleição de 2022, quando Marcos Pontes foi escolhido para compor a chapa vencedora em São Paulo.
O cenário preocupa ainda mais o Palácio dos Bandeirantes diante das movimentações da esquerda. Há a leitura de que uma composição mais centrista, com nomes como Fernando Haddad (PT), Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede), poderia tornar a disputa altamente competitiva e ameaçar o domínio da direita no estado.
Internamente, também há dúvidas sobre a força eleitoral de Guilherme Derrite sem a visibilidade proporcionada pelo comando da Secretaria de Segurança Pública. Alguns aliados avaliam que o ex-secretário pode perder tração política até o início da campanha.
Tarcísio teria tratado do tema diretamente com Jair Bolsonaro na semana passada, durante visita ao ex-presidente em Brasília. Questionado por jornalistas nesta quarta-feira (5), o governador evitou antecipar definições e afirmou que a decisão será tomada mais adiante, em conjunto com os partidos, levando em conta o desempenho dos nomes nas pesquisas.
Entre as opções ventiladas está a deputada Rosana Valle (PL), presidente do PL Mulher em São Paulo e nome defendido por Michelle Bolsonaro. Apesar da pressão para que seu nome seja testado, aliados avaliam que a parlamentar dificilmente aceitará entrar na disputa.
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