Vitórias africanas e destaques brasileiros marcaram a edição histórica da principal corrida de rua do país

Erika Osti Publicado em 31/12/2025, às 12h40
A 100ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, realizada nesta terça-feira, 31 de dezembro, em São Paulo, reuniu emoção, alto nível técnico e histórias que ajudam a explicar os contrastes do atletismo mundial. Na prova histórica, quatro nomes se destacaram como protagonistas: a tanzaniana Sisilia Panga, campeã entre as mulheres; o etíope Muse Gizachew, vencedor da prova masculina; e os brasileiros Núbia de Oliveira e Fábio Aparecido de Oliveira, melhores representantes do país na edição centenária.
Na disputa feminina, Sisilia Panga confirmou o favoritismo e mostrou domínio desde os primeiros quilômetros. A atleta da Tanzânia se manteve no pelotão da frente, soube controlar o ritmo e fez a diferença nos trechos mais exigentes do percurso, especialmente nas subidas finais. Com uma corrida consistente e bem calculada, cruzou a linha de chegada em primeiro lugar e entrou para a história como campeã da São Silvestre dos 100 anos.
Logo atrás da vencedora, quem chamou a atenção foi Núbia de Oliveira, que novamente se firmou como o principal nome brasileiro na elite feminina. Natural da Bahia e representante do Praia Clube, a jovem atleta terminou como a melhor brasileira da prova, repetindo o bom desempenho de edições anteriores e confirmando sua evolução no cenário nacional. Núbia mostrou resistência, regularidade e maturidade ao longo dos 15 quilômetros, mantendo-se competitiva mesmo diante do forte ritmo imposto pelas estrangeiras. Esse resultado reforça sua condição de uma das principais promessas do atletismo de rua no Brasil.
Na prova masculina, o etíope Muse Gizachew foi o grande nome do dia. Experiente em corridas internacionais, ele soube ler bem o desenrolar da disputa e guardou energia para o momento decisivo. A aceleração veio nos quilômetros finais, quando Muse se isolou na liderança e garantiu a vitória com autoridade, mantendo a tradição da Etiópia entre os campeões da São Silvestre.
Entre os brasileiros, o destaque ficou com Fábio Aparecido de Oliveira, melhor atleta do país na edição centenária. Ele conseguiu se manter entre os primeiros colocados do início ao fim e garantiu lugar de destaque em meio a um pelotão dominado por africanos. Após a prova, Fábio chamou atenção ao comentar a falta de incentivo ao atletismo no Brasil, relatando que grande parte da preparação foi feita treinando nas ruas, sem estrutura adequada.
O desempenho de Fábio e Núbia evidenciou não apenas talento, mas também resistência. Ambos representam uma geração que segue competitiva mesmo enfrentando limitações de apoio, patrocínio e políticas públicas para o esporte de alto rendimento. Ainda assim, conseguiram levar o Brasil ao pódio e ganhar visibilidade em uma das provas mais tradicionais do mundo.
A São Silvestre centenária terminou com festa nas ruas de São Paulo e reflexões fora delas. Sisilia Panga e Muse Gizachew simbolizam a força de sistemas esportivos bem estruturados, enquanto Núbia de Oliveira e Fábio Aparecido de Oliveira representam a luta diária do atleta brasileiro por espaço e reconhecimento. Quatro trajetórias diferentes que se cruzaram na mesma linha de chegada e ajudaram a escrever mais um capítulo marcante da história da corrida.
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