Proposta surge como uma das várias medidas que a administração municipal está avaliando para aprimorar a qualidade do ensino nas instituições afetadas

por Marina Milani
Publicado em 06/01/2025, às 18h30
O prefeito Ricardo Nunes, do MDB, está considerando transferir a gestão de 50 escolas que apresentam o pior desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para a administração privada. Essa proposta surge como uma das várias medidas que a administração municipal está avaliando para aprimorar a qualidade do ensino nas instituições afetadas.
Durante uma agenda realizada na zona sul da cidade nesta segunda-feira (6), Nunes destacou que a Secretaria da Educação está se preparando para implementar ações nas escolas com os índices mais baixos.
"Estamos avaliando intervenções que podem incluir atividades de reforço escolar ou parcerias com organizações especializadas em educação. É inaceitável que tenhamos escolas com Ideb tão insatisfatório e não tomemos nenhuma atitude", afirmou.
O Ideb é considerado o principal parâmetro para medir a qualidade educacional no Brasil, sendo calculado com base nas notas dos alunos em exames do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e na taxa de aprovação dos estudantes.
Apesar das intenções manifestadas, ainda não há um cronograma definido para a implementação dessa mudança na gestão das unidades escolares. O prefeito indicou que está em processo de avaliação sobre qual abordagem seguir: se iniciará pela subprefeitura, por uma diretoria de ensino específica ou pelas 50 escolas que enfrentam mais dificuldades em toda a cidade.
Essa não é a primeira vez que o prefeito menciona a possibilidade de envolver a iniciativa privada na gestão das escolas municipais. Em novembro de 2024, Nunes já havia expressado interesse em replicar o modelo do Colégio Liceu Coração de Jesus em outras instituições. Essa escola, mantida pela Prefeitura, é administrada por uma associação católica desde 2023 e obteve resultados superiores à média da rede na Prova São Paulo, uma avaliação local.
No entanto, essa proposta gerou críticas por parte de especialistas. Em entrevista ao Metrópoles, Andressa Pellanda, coordenadora geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, argumentou que as afirmações do prefeito não eram sustentadas por evidências científicas. Pellanda enfatizou que os resultados da Prova São Paulo não refletem necessariamente uma educação de qualidade ou adequada.
"Testes como esse não avaliam de forma abrangente a aprendizagem ou a qualidade educacional, que vai além dos resultados em matemática ou português. Uma educação de qualidade envolve também formação crítica e cidadã", ressaltou a especialista na ocasião.
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