Estudo revela que pedestres enfrentam longos tempos de espera nos semáforos em São Paulo, sofrendo riscos na travessia

Sabrina Oliveira Publicado em 24/06/2024, às 11h45
Um estudo realizado pelo Instituto Corrida Amiga apontou que os tempos de espera nos semáforos para pedestres em São Paulo são inadequados, especialmente em áreas de alto tráfego. Na Praça Roberto Gomes Pedrosa, localizada no bairro do Morumbi, Zona Sul de São Paulo, a espera para atravessar pode ultrapassar 4 minutos, enquanto o tempo de travessia é de apenas 6 segundos.
Na manhã desta segunda-feira (24), uma reportagem da TV Globo esteve no local e confirmou que, às 6h30, pedestres aguardaram 6 minutos e 45 segundos para atravessar a rua. Além do longo tempo de espera, os pedestres que passam pela praça frequentemente precisam ficar em uma pequena "ilha" no canteiro central, expondo-se a riscos adicionais.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) respondeu, em nota, que o tempo para travessia de pedestres em São Paulo está em conformidade com os critérios do manual brasileiro de sinalização de trânsito e mencionou o programa Pedestre Seguro, que visa aumentar o tempo de travessia na cidade. No entanto, a CET afirmou que está investigando por que o tempo de travessia no bairro Morumbi foi tão curto.
O estudo do Instituto Corrida Amiga analisou os tempos semafóricos em 170 travessias de 21 cidades em seis estados, constatando que o tempo médio de espera para pedestres é de 2 minutos e 11 segundos, com uma média de apenas 7 segundos para a travessia. Em cerca de 50% dos semáforos analisados, o tempo de espera foi maior que 90 segundos.
Silvia Stuchi, gestora ambiental e fundadora do Instituto, destacou que o Estatuto do Pedestre garante o direito a um tempo adequado para travessia. Ela criticou o sistema atual por não priorizar o pedestre e enfatizou a necessidade de uma mobilidade urbana que considere diferentes velocidades de caminhada, conforme estipulado pelo estatuto.
O Estatuto do Pedestre estabelece diferentes velocidades de caminhada para ajustar os tempos semafóricos. Atualmente, a CET utiliza 1,2 metro por segundo, mas o Estatuto recomenda considerar 0,7 metro por segundo para crianças e 0,5 metro por segundo para pessoas com deficiência. Isso tornaria a cidade mais amigável para todos”, explicou Silvia.
Ela também ressaltou que o Estatuto do Pedestre define um tempo máximo de espera de até 90 segundos, muito inferior ao observado na pesquisa. Para Silvia, é essencial uma conscientização coletiva que priorize o pedestre no sistema de mobilidade urbana, em conformidade com o Código de Trânsito Brasileiro e a política nacional de mobilidade urbana.
O artigo 9º da lei nº 16.673, de 13 de junho de 2017, assegura vários direitos aos pedestres, incluindo:
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