Dados mostram que o 16º Batalhão da PM, ligado ao massacre de Paraisópolis, teve 337 mortes em 10 anos, superando todos os outros batalhões de São Paulo

Sabrina Oliveira Publicado em 28/06/2024, às 09h26
Um recente relatório divulgado pelo Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) da Unifesp e pela Defensoria Pública revela dados alarmantes sobre a atuação do 16º Batalhão da Polícia Militar de São Paulo. O estudo indica que este batalhão, responsável pela ação que resultou na morte de nove jovens durante um baile funk em Paraisópolis, é o mais letal da cidade, com 337 mortes entre 2013 e 2023. Este número supera em muito os registros dos outros 30 batalhões regulares da capital paulista.
Os dados do relatório mostram uma desproporcionalidade significativa: enquanto o 16º Batalhão matou 337 pessoas em uma década, apenas oito policiais morreram na mesma região, sendo três em serviço e cinco de folga. A área abrangida pelo 16º BPM/M inclui distritos como Morumbi, Vila Sônia, Vila Andrade, Raposo Tavares e parte do Campo Limpo, territórios marcados por fortes contrastes sociais. A Vila Andrade, em particular, possui o maior índice de habitações em favelas da capital, com uma alta concentração populacional em Paraisópolis, a segunda maior favela da cidade.
O relatório destaca que o 16º BPM/M liderou anualmente o ranking de mortes decorrentes de intervenções policiais, com exceção de 2016. As 337 mortes atribuídas a este batalhão representam mais da metade das ocorridas na região Oeste e 9,9% dos casos da capital no período. A maioria das vítimas eram homens jovens e negros, refletindo uma desproporção em relação à população preta e parda da cidade.
Em dezembro de 2019, a ação do 16º BPM/M em Paraisópolis durante um baile funk resultou na morte de nove jovens e feriu outros 12. Vídeos gravados por testemunhas e câmeras de segurança mostram a polícia encurralando as vítimas em um beco sem saída, onde muitos morreram por asfixia. A versão oficial da polícia, de que perseguiam suspeitos de roubo que teriam causado o tumulto, foi contestada pelas investigações e laudos periciais.
Nesta sexta-feira (28), a Justiça realiza a quarta audiência do caso para decidir se os 12 policiais militares envolvidos serão levados a júri popular por homicídio. As famílias das vítimas já foram indenizadas pelo governo de São Paulo em 2021, após representação da Defensoria Pública. Enquanto isso, todos os policiais acusados permanecem afastados do patrulhamento de rua, mas continuam exercendo funções administrativas na corporação.
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