Empresas alegam necessidade de prazo maior para pagar o 13º; sindicato afirma que benefícios estão atrasados há meses

Gabriela Nogueira Publicado em 09/12/2025, às 17h35
A cidade de São Paulo enfrentou uma tarde de interrupções no transporte público após motoristas e cobradores de ônibus iniciaram uma paralisação em reação ao não pagamento do 13º salário e de benefícios previstos em acordo trabalhista. A mobilização teve início por volta das 16h desta terça-feira e afetou diversos terminais da capital, provocando filas, atraso de viagens e confusão entre passageiros.
O SindMotoristas, representante da categoria, afirmou que as empresas se comprometeram a quitar o 13º e depositar o vale-refeição relativo às férias até a data prevista, mas comunicaram que não cumpririam o compromisso. O anúncio desencadeou a paralisação imediata.
O Terminal Santo Amaro, na zona sul, foi um dos primeiros a registrar veículos estacionados sem previsão de saída. Passageiros aguardavam informações enquanto filas cresciam. No Terminal Dom Pedro II, após serem avisados da suspensão dos serviços, muitos usuários deixaram o local em busca de alternativas de deslocamento.
Nas redes sociais, usuários relataram ônibus parados, atrasos e dificuldade para chegar ao trabalho e voltar para casa. A interrupção pegou muitos de surpresa, especialmente por acontecer em horário de pico.
Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) declarou que as operadoras associadas estão empenhadas em cumprir suas obrigações trabalhistas, mas solicitaram prazo adicional para efetuar o pagamento do 13º salário, conforme previsto na legislação. A entidade disse manter diálogo com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte para evitar maiores impactos à população.
O SindMotoristas, porém, sustenta que a situação ultrapassa o atraso pontual do 13º. Em entrevistas, representantes argumentaram que o vale-refeição das férias também não foi pago desde setembro.
“Prometeram que regularizariam tudo no dia 12 de dezembro, mas não cumpriram. Os trabalhadores não foram respeitados”, afirmou a entidade.
O sindicato acrescentou que existe decisão judicial determinando que as empresas efetuem os pagamentos, o que, segundo eles, não foi cumprido. “A crise foi provocada pelo descumprimento das obrigações. A paralisação se tornou inevitável”, destacou a direção.
A Prefeitura de São Paulo e a SPTrans ainda não se manifestaram.
A greve segue sem previsão oficial de encerramento, e novos transtornos podem ocorrer caso as negociações não avancem nas próximas horas.
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