O Dr. César Janovsky lançou em São Paulo o Instituto Transforma Esporte, projeto inovador que oferece cirurgias e tratamentos de alto nível para jovens atletas da periferia, com o objetivo de recuperar carreiras interrompidas por lesões

William Oliveira Publicado em 02/03/2026, às 07h00
A falta de acesso a tratamento médico adequado ainda interrompe a trajetória de jovens atletas da periferia que sonham em seguir carreira no esporte. Diante dessa realidade, o ortopedista especialista em joelho, Dr. César Janovsky, criou o Instituto Transforma Esporte, uma iniciativa que busca recuperar fisicamente e devolver perspectiva a talentos que tiveram a carreira comprometida por lesões.
Em entrevista exclusiva ao Diário de São Paulo, o médico afirmou que a ideia surgiu dentro do centro cirúrgico, ao perceber que muitos atletas com grande potencial abandonavam o esporte por não conseguirem acesso a diagnóstico, cirurgia e reabilitação adequados.
“A diferença entre um atleta da elite e um atleta da periferia, muitas vezes, não é talento, é acesso. Foi a partir dessa constatação que nasceu o Instituto Transforma Esporte”, afirmou.
Com foco nos Jogos Olímpicos de 2028, o projeto foi estruturado com base em ciclos de quatro anos, semelhantes ao ciclo olímpico. A proposta é acompanhar o atleta desde o procedimento cirúrgico até o retorno seguro às competições, com metas clínicas, de reabilitação e de performance. A expectativa é que parte dos participantes já esteja inserida em competições nacionais e internacionais até lá. “Até 2028, queremos ter atletas plenamente reabilitados, com retorno competitivo seguro e estruturado, alguns já inseridos em competições nacionais e internacionais. Não é só operar, é acompanhar até a performance.”
Entre as lesões mais comuns atendidas pelo projeto estão as ligamentares de joelho, principalmente do Ligamento Cruzado Anterior (LCA), além de lesões meniscais negligenciadas, instabilidades de ombro, fraturas mal consolidadas e tendinopatias crônicas por sobrecarga. De acordo com o especialista, o principal agravante é o tempo excessivo sem tratamento adequado.
O acesso ao projeto ocorre por meio de encaminhamento de treinadores, assessorias esportivas e projetos sociais parceiros. Na seleção, são avaliados não apenas o talento esportivo, mas também o contexto social e o comprometimento do atleta com o processo de reabilitação.

Para viabilizar a iniciativa, o instituto busca parcerias com empresas, hospitais, centros médicos e marcas do setor esportivo e ortopédico, além de captar recursos por meio de leis de incentivo ao esporte e investimentos com foco em responsabilidade social. A meta é atender entre 80 e 150 atletas até 2028, com prioridade inicial para modalidades de alto impacto, como futebol, atletismo, judô e esportes coletivos.
O médico relata que, ao longo da carreira, já acompanhou casos marcantes de atletas que conseguiram retomar a trajetória esportiva após tratamento adequado. Em um deles, o paciente foi poupado de uma cirurgia equivocada e voltou a competir em alto nível.
“Já atendi atletas que chegaram com indicação de procedimentos inadequados ou com lesões mal conduzidas e conseguiram retornar ao esporte competitivo após tratamento correto. Um deles foi salvo de uma cirurgia equivocada e voltou a competir em alto nível. O acesso à decisão médica correta pode mudar uma carreira inteira”, destaca.
Para além da recuperação física, o impacto social do projeto é apontado como um dos principais objetivos. “Quando um jovem atleta volta a treinar, ele não está apenas recuperando o joelho ou o ombro. Ele está retomando disciplina, autoestima, pertencimento e futuro”, diz.

Entre os principais desafios da iniciativa estão a captação estruturada de recursos, a segurança jurídica dos modelos de financiamento e a ampliação da rede hospitalar parceira. A longo prazo, o projeto prevê a criação de uma sede própria, com centro cirúrgico e ala de reabilitação integrada, além da ampliação de parcerias e do desenvolvimento de pesquisa clínica.
A expectativa é que o Instituto Transforma Esporte se torne referência nacional em reabilitação ortopédica de atletas em situação de vulnerabilidade, unindo assistência médica, ciência e impacto social.
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