Ato em frente ao Masp integra mobilização nacional contra maus-tratos a animais

Gabriela Nogueira Publicado em 01/02/2026, às 11h19
Uma multidão ocupou a avenida Paulista na manhã deste domingo (1º) para pedir justiça pela morte do Cão Orelha, animal comunitário conhecido e querido na Praia Brava, em Florianópolis. O protesto ocorreu em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o Masp, e fez parte de uma mobilização nacional que também levou manifestantes às ruas no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.
Com cartazes, palavras de ordem e faixas pedindo punição aos responsáveis, os participantes denunciaram a violência contra animais e cobraram respostas das autoridades. O caso ganhou repercussão nacional após a confirmação de que o cão foi torturado por adolescentes e encontrado em estado grave, sem chances de recuperação. Diante da gravidade dos ferimentos, ele precisou ser submetido à eutanásia.
Orelha vivia havia cerca de dez anos na Praia Brava e era tratado como mascote da região. O animal circulava livremente pelo bairro, interagia com moradores, turistas e outros animais e era cuidado coletivamente pela comunidade. O desaparecimento do cão causou estranhamento até que ele foi localizado ferido e agonizando por um de seus cuidadores.
Para os manifestantes, o ato vai além de um único episódio. “Esse caso expõe um problema que acontece todos os dias, mas nem sempre ganha visibilidade. Não é só sobre o Orelha, é sobre respeito aos animais e à vida”, afirmou o advogado Paulo Henrique de Oliveira, presente no protesto em São Paulo.
As investigações apontaram quatro adolescentes como autores da agressão. Eles foram identificados por imagens de câmeras de segurança e relatos de moradores. Nesta semana, a Polícia Civil de Santa Catarina avançou nas apurações e cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados a maus-tratos e à suspeita de coação de testemunhas.
Além dos menores, três adultos, familiares dos investigados, foram indiciados por tentativa de interferir no andamento do processo. Dois dos adolescentes chegaram a deixar o país após o crime e viajaram para os Estados Unidos. De volta ao Brasil, devem ser ouvidos pela polícia nos próximos dias.
A comoção em torno do caso se espalhou rapidamente pelas redes sociais, onde usuários de diferentes regiões do país passaram a cobrar punições mais severas e mudanças na legislação. Durante entrevista coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, defendeu a revisão das regras atuais. Segundo ele, adolescentes têm consciência de seus atos e deveriam receber sanções mais duras, inclusive com a discussão sobre a redução da maioridade penal.
Hoje, a Constituição Federal estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis e respondem conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente. As medidas previstas incluem advertência, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e, em casos extremos, internação.
O Ministério Público de Santa Catarina informou que aguarda a conclusão do inquérito policial para definir quais providências serão adotadas. Enquanto isso, manifestações como a da avenida Paulista reforçam a pressão social por justiça e por mudanças no combate aos maus-tratos contra animais.
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