Mulher afirma que menino apresentava ferimentos na cabeça e suspeita que filha autista também tenha sofrido maus-tratos na casa do pai

Letícia Sales Publicado em 14/05/2026, às 13h21
A mãe de Kratos Douglas, menino de 11 anos encontrado morto na casa da família paterna na zona leste de São Paulo, afirmou ter visto marcas de agressão no corpo do filho durante o velório realizado nessa quarta-feira (13), em Bauru, no interior paulista.
Em entrevista, Karina de Oliveira Gomes relatou que percebeu ferimentos na cabeça e no rosto da criança que, segundo ela, seriam compatíveis com golpes de corrente.
“Tinha uma marca de corrente no rosto e na cabeça. Havia pontos e não eram da autópsia. Dava para ver que eram de uma corrente”, afirmou.
O caso provocou forte comoção e segue sendo investigado pela Polícia Civil como suspeita de tortura, maus-tratos e omissão.
Suspeita de violência contra outra criança
Ainda abalada emocionalmente, Karina contou que a filha mais velha, uma menina autista de 12 anos, também pode ter sido vítima de agressões dentro da residência onde Kratos vivia com o pai.
“Ela tinha sinais claros de desnutrição e também pode ter sido acorrentada por ele”, declarou a mãe, se referindo ao ex-companheiro Chris Douglas.
Karina afirmou que tem enfrentado dificuldades emocionais desde que recebeu a notícia da morte do filho e disse estar fazendo uso de medicamentos para conseguir lidar com a situação.
Prisões e investigação
O pai do menino, Chris Douglas, está preso desde o dia em que o corpo foi encontrado. Em depoimento à polícia, ele admitiu que acorrentava o filho para impedir que ele saísse de casa, mas negou agressões e tortura.
A madrasta e a avó paterna de Kratos também foram presas. Segundo a investigação, ambas tinham conhecimento da situação e não denunciaram os maus-tratos.
O menino foi encontrado caído próximo à cama de um dos quartos da casa, no bairro Cidade Kemel, com hematomas espalhados pelo corpo.
De acordo com a polícia, Kratos apresentava sinais de desnutrição e não estava matriculado na escola.
O caso veio à tona após profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) acionarem a Polícia Militar diante da suspeita de violência.
Laudos periciais ainda devem apontar oficialmente a causa da morte e esclarecer se a criança sofreu outros tipos de violência.
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