Episódio ocorreu em 2018, após ofensas racistas dirigidas à Noemi Ferrari, durante seu primeiro dia de trabalho em uma unidade da empresa em São Caetano do Sul

William Oliveira Publicado em 12/09/2025, às 12h25
A Justiça do Trabalho condenou a rede de farmácias Raia Drogasil por ofensas racistas dirigidas à ex-funcionária Noemi Ferrari. O episódio ocorreu em 2018, durante seu primeiro dia de trabalho em uma unidade da empresa em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
Noemi, que ganhou destaque nas redes sociais após divulgar um vídeo expondo as ofensas, recebeu uma indenização de R$ 56 mil em março deste ano. A gravação feita por uma colega de trabalho mostrava comentários discriminatórios e debochados.
O vídeo mostrava a funcionária superior apresentando Noemi à equipe de forma hostil:
"Essa daqui é a Noemi, nossa nova colaboradora. Fala um oi, querida. Tá escurecendo a nossa loja? Tá escurecendo. Acabou a cota, tá? Negrinho não entra mais", dizia entre risadas, enquanto listava tarefas depreciativas para Noemi. A gravação tinha a intenção de incluí-la no grupo de WhatsApp da equipe.
Em entrevista ao g1, Noemi contou que ficou em choque e se sentiu impotente: "Meu pai adotivo tinha morrido, eu precisava trabalhar, não tinha para onde correr. Fingi que nada aconteceu. Depois, fui para o banheiro chorar".
Confira:
MEU DEUS! Mulher sofre racismo no primeiro dia de trabalho em farmácia, praticado por funcionária. pic.twitter.com/DH1h5I4iDn
— poponze (@poponze) September 11, 2025
Apesar do trauma, Noemi decidiu permanecer na empresa, acreditando que poderia contribuir para um ambiente de trabalho melhor. Ela foi promovida a supervisora em 2020, mas sofreu novas agressões verbais de um supervisor em 2022, resultando em sua demissão.
Após a demissão, Noemi buscou justiça. Inicialmente, queria esquecer os acontecimentos, mas uma insinuação de uma colega a motivou a tomar medidas legais.
Julgamento
A juíza Rosa Fatorelli reconheceu o racismo no vídeo e rejeitou a defesa da empresa, que alegava tratar-se de brincadeira. Ela destacou a necessidade de analisar o caso sob a ótica do racismo estrutural e recreativo, ambos incompatíveis com os direitos humanos.
O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região confirmou a responsabilidade da Raia Drogasil por não garantir um ambiente seguro e respeitoso. A juíza Erotilde Minharro ressaltou que o racismo recreativo é tão prejudicial quanto outras formas de discriminação e que cabe ao empregador proteger os funcionários, especialmente de abusos por superiores.
A empresa lamentou o ocorrido e reforçou seu compromisso com a diversidade e a inclusão, destacando ações para promover um espaço laboral justo.
Hoje, Noemi Ferrari atua na gestão na área da saúde e agradece o apoio recebido. Parte da indenização foi investida em seu desenvolvimento pessoal, incluindo a compra de um apartamento.
"Hoje eu estou bem, graças a Deus. Ir para a igreja, ter uma rede de apoio, estar com pessoas que eu amo, isso tem me feito bem. Minha psicóloga e meus advogados estão me apoiando bastante",finalizou.
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