Pré-candidato do PT ao governo de SP alerta para avanço de milícias no interior e critica "resistência" de Tarcísio em articular com órgãos federais

Letícia Sales Publicado em 02/07/2026, às 13h00
O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu nesta quinta-feira (2) a retomada do uso de câmeras corporais com gravação contínua por policiais militares e a ampliação da integração entre forças estaduais e órgãos federais como propostas centrais para a segurança pública.
A declaração foi dada durante entrevista em Hortolândia (SP), após visita a uma indústria de embalagens plásticas. Segundo Haddad, o uso contínuo das câmeras nas fardas contribui para reduzir a letalidade policial e também protege os próprios agentes.
"Nós temos que voltar com as câmeras nas fardas em tempo contínuo. Porque isso aí protege o policial também. Você vai voltar a diminuir a letalidade dos policiais e vai também diminuir a morte de policiais", afirmou.
A proposta ganha contexto diante de dados divulgados na quarta-feira (1º) pela Rede de Observatórios da Segurança, que apontam recorde de mortes decorrentes de intervenção policial em São Paulo em 2025 — o maior número desde o início da série histórica, iniciada em 2019. Foram 834 vítimas fatais, alta de 2,7% em relação a 2024.
Crítica a Tarcísio e proposta de gabinete conjunto
Questionado sobre o combate ao crime organizado, Haddad afirmou que o enfrentamento depende de atuação conjunta entre os governos estadual e federal. O petista criticou o que classificou como "resistência" do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em articular parcerias com órgãos federais.
"Essa resistência do Tarcísio a fazer parceria com a Polícia Federal, com a Receita Federal, com o Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras], não faz o menor sentido. E eu já disse que no primeiro dia de governo vou montar um gabinete permanente institucional, presidido por mim, que vai ter assento os órgãos federais, Receita, Polícia Federal e COAF, Ministério Público Federal e os órgãos estaduais, GAECO, Polícia Militar e Polícia Civil", declarou.
Uso de inteligência e ocupação do território
Haddad também defendeu mudanças na estratégia de policiamento, com maior aplicação de inteligência e tecnologia para orientar o patrulhamento e recuperar áreas dominadas pela criminalidade. "Tem que ter uma política de ocupação do território", disse o pré-candidato.
"As praças e ruas do Estado têm que ser devolvidas para o cidadão. Isso não está acontecendo. Por quê? Porque nós estamos usando uma tecnologia defasada para a ocupação do território. O patrulhamento não está seguindo diretrizes de inteligência", completou.
Interior também preocupa
Ao tratar da situação do interior paulista, Haddad afirmou que os problemas de segurança não se restringem à Região Metropolitana de São Paulo. Ele citou o aumento de homicídios dolosos e de estupros de vulneráveis em Campinas e mencionou relatos de produtores rurais sobre o crescimento de roubos em fazendas, sítios e chácaras.
O pré-candidato apontou ainda o avanço dos roubos de carga no estado e alertou para a atuação crescente de milícias, com grupos que oferecem serviços de segurança privada ligados ao crime organizado começando a se instalar em São Paulo. Para conter esse avanço, defendeu o uso de inteligência policial.
"Se não tiver um trabalho de inteligência no transporte de carga, nós vamos transformar São Paulo em o que é hoje o Rio de Janeiro [...] Nós não podemos deixar acontecer isso em São Paulo. O interior precisa entender que nós estamos abrindo a porta para a milícia no estado de São Paulo", concluiu.
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