Jaqueline Santos Ludovico, de 35 anos, foi presa ao desembarcar no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, após descumprir medidas cautelares impostas pela Justiça

William Oliveira Publicado em 06/02/2026, às 13h25 - Atualizado às 13h51
A mulher que ganhou notoriedade após agredir verbalmente um casal de homens em uma padaria no centro de São Paulo foi presa na quarta-feira (4), ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), após retornar da Espanha. O episódio na padaria ocorreu em fevereiro de 2024, no bairro Santa Cecília, mas não foi esse caso o motivo direto da prisão.
Identificada como Jaqueline Santos Ludovico, de 35 anos, ela teve a prisão preventiva decretada por descumprimento de medidas cautelares impostas pela Justiça em outro processo, relacionado a um atropelamento seguido de fuga. Segundo a decisão judicial, Jaqueline viajou para o exterior sem autorização, além de deixar de cumprir a obrigação de comparecimento mensal ao fórum criminal.
A abordagem no aeroporto ocorreu sem resistência. A mulher estava acompanhada de um advogado e não portava nenhum material ilícito. A prisão havia sido determinada ainda em janeiro deste ano, após o Judiciário constatar o descumprimento das restrições impostas.
O atropelamento que motivou a imposição das medidas cautelares aconteceu na madrugada de 14 de junho de 2024, no bairro da Barra Funda, região central da capital. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Jaqueline atinge um homem que atravessava a rua pela faixa de pedestres. Após o impacto, ela deixou o local sem prestar socorro.
Pouco tempo depois, a motorista foi localizada nas proximidades do local do atropelamento e presa em flagrante pelos crimes de lesão corporal, fuga do local do acidente e embriaguez ao volante. A vítima foi socorrida e encaminhada ao Hospital São Camilo de Santana, onde permaneceu em observação.
Já o episódio ocorrido na padaria Iracema, em Santa Cecília, teve início no estacionamento do estabelecimento. Conforme o boletim de ocorrência, Jaqueline se recusou a sair de uma vaga enquanto um casal tentava estacionar. Durante a discussão, ela teria danificado o veículo e proferido ofensas de cunho homofóbico contra os dois homens, que buscaram abrigo dentro da padaria.
As agressões verbais continuaram no interior do local e foram registradas em vídeo por uma das vítimas. A Polícia Militar foi acionada e o caso encaminhado à Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e de Intolerância (Decradi).
Em abril de 2025, Jaqueline foi condenada por injúria em razão da sexualidade. A sentença fixou pena de dois anos e quatro meses de prisão em regime aberto, substituída por prestação de serviços comunitários e pagamento de indenização por danos morais. Cada vítima recebeu o equivalente a cinco salários-mínimos, além de custas processuais, totalizando cerca de R$ 21,9 mil. Ela foi absolvida das acusações de lesão corporal, vias de fato e ameaça por falta de provas conclusivas.
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