Casos aconteceram em pleno Setembro Amarelo, mês voltado à prevenção ao suicídio; Sindicato reforça urgência de melhores condições de trabalho e de adoção de políticas públicas que favoreçam o bem-estar dos profissionais da Segurança

Manoela Cardozo Publicado em 11/10/2023, às 11h38
No mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio, Setembro Amarelo, dois policiais civis tragicamente encerraram suas vidas enquanto estavam de serviço, em menos de uma semana, nas instalações policiais onde trabalhavam.
Esses acontecimentos destacam a necessidade premente de abordar a saúde mental dos profissionais de segurança e aprimorar as condições de trabalho na área policial. O alerta foi emitido pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp).
Em 29 de setembro, um delegado tirou a própria vida na Seccional de Barretos-SP. Na semana anterior, um escrevente policial fez o mesmo durante o expediente no 3º Distrito Policial de Diadema-SP.
Suicídios entre policiais civis têm sido uma triste realidade por anos, mas nos últimos meses se tornaram ainda mais frequentes, de acordo com a delegada Jacqueline Valadares, presidente do Sindpesp.
A delegada enfatizou que a atenção à saúde mental dos profissionais tem sido uma prioridade do sindicato por muito tempo.
"O Sindicato se solidariza com as famílias que perderam seus entes queridos, e com toda a instituição policial, que está entristecida e abalada com essas ocorrências. Os tristes episódios das últimas semanas mostram o quão adoecidos estão os profissionais que atuam na linha de frente contra o crime e para oferecer segurança à população. Tudo isso é preocupante", destacou.

Em agosto deste ano, a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Governo de São Paulo constituiu um grupo para estudar e criar um programa de apoio à saúde mental dos policiais do estado.
Jacqueline reconheceu a importância desse esforço, mas lamentou a falta de agilidade nas ações para evitar que mais policiais sofram com depressão e recorram ao suicídio.
"São situações como condição de trabalho precária, sobrecarga, pouco descanso, escalas exaustivas, salários pouco condizentes com os riscos da profissão e que levam muitos a buscarem meios adicionais de renda, como os bicos, além de ausência de lazer e de convívio com a família, só para citarmos algumas questões", disse Jacqueline.
A delegada destacou que, em São Paulo, os policiais estão à beira do esgotamento mental devido a diversos fatores, incluindo remuneração e estrutura: "É preciso que providências sejam implantadas com mais rapidez. Trata-se de um problema de saúde crônico, e que, portanto, exige a adoção de medidas urgentes - tão evidente quanto é a necessidade de se melhorar as condições de trabalho".
O Sindpesp tem promovido diversas iniciativas para apoiar o bem-estar emocional de seus membros. Durante o Setembro Amarelo, a organização conduziu campanhas, compartilhou informações sobre como buscar ajuda e estabeleceu parcerias com especialistas, disponibilizando profissionais que lidam com a saúde física e mental para oferecer apoio aos policiais.
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