Documento foi entregue ao Consulado do Brasil em Lisboa e aguarda orientação do Itamaraty; família acredita que dados sejam autênticos.

Ana Beatriz Publicado em 06/01/2026, às 13h29
O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou, na manhã desta terça-feira (6), que recebeu um passaporte atribuído a Eliza Samudio, atriz e modelo paranaense assassinada em 2010. Segundo o órgão, o documento foi entregue na sexta-feira (2) e permanece sob análise, aguardando definição do Itamaraty sobre os próximos procedimentos.
O caso voltou a ganhar repercussão após o Portal Leo Dias noticiar que o passaporte teria sido encontrado em um imóvel em Portugal, no fim de 2025. De acordo com a publicação, o documento estava em um apartamento alugado e foi localizado por um homem não identificado, entre livros guardados em uma estante.
Em nota, o consulado informou que não pode confirmar a autenticidade do documento neste momento e que aguarda orientação do Ministério das Relações Exteriores para definir a destinação adequada do passaporte.
Família acredita que documento seja verdadeiro
À CNN Brasil, o irmão de Eliza, Arlie Moura, de 27 anos, afirmou acreditar que o passaporte seja verídico, com base nos dados pessoais presentes no documento, como nome completo, filiação e data de nascimento, que seriam compatíveis com os da irmã.
Apesar disso, Arlie ressaltou que ainda não há confirmação oficial por parte das autoridades. “Não posso bater o martelo”, disse. Segundo ele, as informações disponíveis até o momento indicam que o documento pode, de fato, pertencer a Eliza.
O irmão também afirmou que soube do caso pela imprensa. “Eu, como sempre, sei só pela mídia, não falo com minha mãe”, declarou, acrescentando que aguarda novos esclarecimentos.
Relembre o caso
Eliza Samudio desapareceu em 4 de junho de 2010, aos 25 anos, após informar amigos que faria uma viagem. Desde então, nunca mais foi vista. As investigações apontaram que ela foi assassinada após se envolver com o então goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes de Souza.
O relacionamento entre os dois foi marcado por conflitos após Eliza engravidar e tornar pública a paternidade do atleta. O filho do casal, Bruninho, nasceu em fevereiro de 2010. Meses depois, Eliza desapareceu, e o último local em que teria sido vista foi um sítio de Bruno, em Minas Gerais.
Durante as investigações, foram encontradas roupas e fraldas no local, e o bebê foi localizado na periferia de Belo Horizonte. Alguns condenados relataram que Eliza teria sido estrangulada e esquartejada, mas os restos mortais nunca foram encontrados, o que impediu a comprovação material da versão.
O ex-goleiro Bruno foi condenado a 20 anos de prisão, acusado de planejar o crime, embora nunca tenha confessado a premeditação. O caso se tornou um dos crimes de maior repercussão da história recente do país.
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