A investigação do Noad revelou que o grupo realizava ameaças e vendia dados pessoais, além de praticar pornografia infantil

William Oliveira Publicado em 31/08/2025, às 07h59
Na última semana, a Polícia Civil de São Paulo prendeu dois indivíduos acusados de ameaçar o influenciador digital Felipe Bressanim, conhecido como Felca, e a psicóloga Ana Beatriz Chamati. Os suspeitos integravam um grupo virtual com mais de 700 membros monitorados por crimes cibernéticos, desarticulado após meses de investigação.
Os detidos foram identificados como Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 22 anos, e um adolescente de 17 anos. Ambos participavam de comunidades no Discord e no Telegram chamadas “Country”, apontadas pela polícia como responsáveis por diversos crimes graves, como a distribuição de material de abuso sexual infantil, maus-tratos a animais, incitação à automutilação e agressões virtuais.
A investigação conduzida pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Secretaria da Segurança Pública (SSP), revelou que as ameaças contra Felca e Ana foram motivadas pelo vídeo “Adultização”, produzido pelo influenciador e lançado em agosto, com participação da psicóloga. O vídeo denuncia como influenciadores lucram explorando crianças e adolescentes e gerou grande repercussão nas redes sociais.
Com a repercussão do documentário, outros influenciadores, como Hytalo Santos e Euro, foram presos na Paraíba, acusados de exploração sexual de menores. O caso acabou levando à identificação dos autores das intimidações contra Felca e Ana.
Cayo foi preso em Olinda (PE) e o adolescente apreendido em Arapiraca (AL). Eles respondem por ameaça, invasão de dispositivos informáticos e associação criminosa. O delegado-geral Artur Dian destacou que Cayo já era investigado por envolvimento em pornografia infantil e utilizava diferentes codinomes para tentar encobrir suas atividades.
Segundo a polícia, o grupo também oferecia serviços ilegais, como a venda de dados pessoais e até a falsificação de mandados de prisão. As mensagens enviadas à psicóloga incluíam ameaças diretas e exigências para que ela excluísse seu perfil no Instagram.
As operações do Noad têm mostrado resultados expressivos: desde novembro de 2024, cerca de 20 pessoas foram presas e mais de 280 vítimas foram resgatadas de situações críticas relacionadas a violência virtual e risco de suicídio. A delegada Lisandrea Salvariego Colabuono ressaltou a importância do monitoramento contínuo das redes sociais para prevenir crimes digitais.
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