Um dos criadores do Fundo de Quintal, Bira ajudou a transformar o samba carioca em movimento cultural de projeção nacional

Lívia Gennari Publicado em 15/06/2025, às 13h04
Morreu na noite deste sábado (14), no Rio de Janeiro, o músico Bira Presidente, aos 88 anos. Fundador do bloco Cacique de Ramos e do grupo Fundo de Quintal, o sambista estava em tratamento contra um câncer de próstata e também enfrentava o avanço do Alzheimer. Ele estava internado no Hospital da Unimed Ferj, na Barra da Tijuca.
Ubirajara Félix do Nascimento, o Bira Presidente, nasceu em 23 de março de 1937, no Rio. Desde a infância, já demonstrava ligação com o samba — aos sete anos, teve seu “batismo” na Estação Primeira de Mangueira, escola pela qual sempre manteve profunda admiração. Ao longo da vida, consolidou-se como uma das personalidades mais influentes do gênero no Brasil, com sua voz marcante, seu pandeiro inconfundível e o carisma que arrastava multidões.
Fundação do 'Cacique de Ramos'
Em 1961, Bira fundou, ao lado de amigos e familiares, o Grêmio Recreativo Cacique de Ramos, no subúrbio carioca. O bloco nasceu da união de pequenos grupos do bairro e se destacou por promover animadas rodas de samba em sua sede, conhecida como “Doce Refúgio”.
O Cacique se tornou, com o tempo, um dos maiores centros de efervescência cultural do Rio de Janeiro e referência no carnaval de rua da cidade. Bira permaneceu à frente da agremiação por mais de seis décadas, foi seu único presidente até a morte e ganhou o apelido de “o próprio Cacique”.
Fundo de Quintal: o grupo que revolucionou o samba
Do Cacique de Ramos, na década de 1970, surgiria outro marco da música popular brasileira: o grupo Fundo de Quintal. Bira foi um dos fundadores do conjunto, que inovou ao incorporar instrumentos como tantã, repique de mão e banjo ao samba tradicional. A nova sonoridade transformou o grupo em referência do samba de raiz e influenciou gerações.
Entre os sucessos que marcaram a trajetória de Bira no Fundo de Quintal estão clássicos como “O Show Tem Que Continuar”, “A Amizade”, “Lucidez”, e “Do Fundo do Nosso Quintal”.
Além de músico, Bira também foi um líder comunitário e uma figura essencial para a valorização do samba como expressão cultural e política. Seu legado ultrapassa a música e se inscreve na história da cultura popular brasileira.
O sambista deixa duas filhas, Karla Marcelly e Christian Kelly, dois netos, Yan e Brian, e a bisneta Lua. Ele também deixa saudade entre sambistas, amigos e fãs que reconhecem sua importância como uma das maiores vozes do samba.
Leia também

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Messi fica fora de treino antes da semifinal da Copa do Mundo

São Paulo registra madrugada mais fria do ano e cidade aciona plano de proteção contra baixas temperaturas

França declara governadora argentina persona non grata após publicação sobre Mbappé

OAB recorre ao STF após Moraes impedir visitas de Flávio Bolsonaro ao pai

França e Espanha decidem vaga na final da Copa do Mundo

Ex-candidata a vereadora em SP, Zilu Camargo é cobrada pela Justiça Eleitoral

Harry Styles é visto por fãs no Parque Ibirapuera antes de maratona de shows em São Paulo

Morte de pastor durante ação policial gera protesto no Jardim São Francisco