Encontro ocorreu nesta sexta-feira (11), em uma audiência privada que durou cerca de 40 minutos

William Oliveira Publicado em 11/10/2024, às 11h44
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, encontrou-se com o papa Francisco no Vaticano nesta sexta-feira (11), em uma audiência privada que durou cerca de 40 minutos. Durante o encontro, marcado por troca de presentes e registros fotográficos oficiais, não foram divulgados detalhes pela Santa Sé sobre o teor das discussões. Contudo, Zelensky revelou em suas redes sociais que solicitou ao pontífice auxílio para a libertação de ucranianos detidos pela Rússia.
"Estamos contando com a ajuda da Santa Sé para trazer de volta os ucranianos que foram capturados pela Rússia", afirmou Zelensky.
Ao final da audiência, o papa presenteou o líder ucraniano com uma escultura em bronze representando uma flor junto a um pássaro, acompanhada da inscrição "A paz é uma flor frágil". Em contrapartida, Zelensky ofereceu ao pontífice uma pintura a óleo retratando uma criança entre as ruínas da cidade de Bucha, cenário de ocupação russa por 33 dias na primavera de 2022.
Após o encontro com Francisco, esta foi a segunda reunião em quatro meses entre ambos. Zelensky também se reuniu com altos representantes do Vaticano para discutir questões relacionadas à guerra e possíveis soluções para seu término. Vale lembrar que, em março, o papa gerou tensões diplomáticas entre Kiev e o Vaticano ao sugerir que a Ucrânia deveria buscar negociações.
Seguindo sua agenda diplomática, Zelensky dirigiu-se a Berlim para dialogar com o chanceler alemão Olaf Scholz. O governo alemão anunciou um pacote de apoio militar à Ucrânia no valor de 600 milhões de euros, com a promessa de mais 1,4 bilhões de euros a serem assegurados juntamente com outros aliados até o final do ano.
Visita a capitais europeias
Em sua turnê pelas capitais europeias ocidentais, Zelensky busca fortalecer o suporte internacional à Ucrânia frente à invasão russa. Segundo declarações do presidente ucraniano na quinta-feira (10), seu objetivo não é debater um cessar-fogo imediato, mas apresentar seu "plano de vitória" aos aliados.
"A Ucrânia só pode negociar a partir de uma posição forte", destacou ele em comunicado oficial.
Na quinta-feira, Zelensky manteve encontros em Londres com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg; em Paris com o presidente francês Emmanuel Macron; e em Roma com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni. Apesar dos esforços diplomáticos, as forças armadas ucranianas enfrentam desafios no leste do país diante do avanço russo.
Outro ponto de preocupação para Zelensky é o cenário político nos Estados Unidos, onde as eleições presidenciais de novembro podem alterar significativamente a política externa americana. Uma eventual vitória do republicano Donald Trump sobre a democrata Kamala Harris poderia comprometer o apoio militar e financeiro dos EUA à Ucrânia desde o início do conflito com a Rússia em fevereiro de 2022.
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