A morte da viúva do ex-primeiro-ministro do Nepal intensificou a crise política e social no país, que enfrenta protestos violentos e instabilidade há anos

Manoela Cardozo Publicado em 10/09/2025, às 10h38
A esposa do ex-primeiro-ministro do Nepal, Jhalanath Khanal, morreu na última terça-feira (9) depois de sofrer queimaduras graves quando manifestantes incendiaram sua residência. Rajyalaxmi Chitrakar chegou a ser levada ao hospital em estado crítico, mas não resistiu.
Outros políticos importantes também ficaram feridos durante os confrontos. A onda de violência se intensificou nos últimos dias e provocou dezenas de mortes.
Os protestos começaram após o governo impor uma restrição ao uso de redes sociais. A decisão gerou revolta e levou milhares de jovens às ruas. Na segunda-feira (8), primeiro dia de manifestações, 19 pessoas morreram e pelo menos 100 ficaram feridas.
O governo suspendeu a proibição das plataformas digitais depois que a polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter a população que tentava invadir o parlamento. No entanto, a medida não foi suficiente para encerrar a insatisfação.
Além disso, o primeiro-ministro KP Sharma Oli renunciou em meio à pressão popular. Manifestantes desafiaram o toque de recolher, entraram em confronto com as forças de segurança e exigiram mudanças imediatas na condução do país.
A população do Nepal enfrenta problemas sociais e econômicos há anos. Muitos jovens reclamam da falta de oportunidades de emprego e acusam a classe política de negligência. Essa insatisfação tem aumentado a cada governo e culminou em uma mobilização considerada a mais violenta em décadas.
Enquanto isso, milhões de nepaleses se veem obrigados a buscar trabalho em países como Malásia, Coreia do Sul e no Oriente Médio. Grande parte atua em canteiros de obras e envia dinheiro para sustentar suas famílias.
A morte de Rajyalaxmi Chitrakar reforçou o clima de indignação. A situação provocou temor entre autoridades, que já vinham sendo alvo de hostilidades. Líderes políticos e ex-governantes também ficaram feridos durante os ataques, aumentando a tensão nacional.
O país, localizado entre a China e a Índia, enfrenta instabilidade desde a queda da monarquia em 2008. O atual cenário agrava a crise, colocando em dúvida os próximos passos da política nepalesa.
Especialistas apontam que a violência recente pode dificultar acordos entre partidos e atrasar medidas econômicas urgentes. Dessa forma, cresce a pressão para que novas lideranças assumam o comando e apresentem soluções concretas para os problemas internos.
Embora a renúncia do primeiro-ministro tenha sido uma vitória para os manifestantes, ainda não há sinais de que os protestos diminuirão. Pelo contrário, a morte da esposa do ex-governante fortaleceu a narrativa contra a elite política e acirrou o conflito.
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