Diário de São Paulo
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Viagem de Biden no Oriente Médio pode aproximar Israel e Arábia Saudita e isolar ainda mais palestinos

Presidente americano viajará para a região pela primeira vez desde que se tornou chefe do Estado

Presidente dos EUA, Joe Biden, embarca em avião presidencial para viagem ao Oriente Médio - Imagem: Freepik
Presidente dos EUA, Joe Biden, embarca em avião presidencial para viagem ao Oriente Médio - Imagem: Freepik

Publicado em 13/07/2022, às 08h01 G1


O presidente americano, Joe Biden, inicia nesta quarta-feira (13) uma viagem de vários dias pelo Oriente Médio. O democrata chega em Israel e visitará também os territórios palestinos. Em seguida, ele irá à Arábia Saudita, na última e mais importante etapa de sua turnê. Os israelenses contam com seu aliado para iniciar uma aproximação com Riad.
Uma normalização completa das relações entre Arábia Saudita e Israel "não ocorrerá de um dia para o outro", ressalta uma alta fonte israelense à RFI, sob anonimato. No entanto, ele pondera que "há novas oportunidades na região". 
Os sauditas e israelenses têm um inimigo comum: o Irã. "Antes eram os árabes contra os judeus. Hoje são os moderados contra os radicais", explica. Segundo esta fonte, o momento é favorável para um acordo para uma aliança estratégica regional, uma espécie de pacto militar para fazer frente a Teerã. 
O Estado hebreu conta com o presidente americano para guiar essa convergência de interesses com outros aliados de Washington no Oriente Médio. Após essa primeira etapa, o passo seguinte será "expandir o círculo de relações, porque as oportunidades são infinitas", diz o israelense, mencionando a criação de laços entre as populações israelenses e sauditas. "Trabalhar juntos, estudar juntos, escrever uma história comum", destaca. 
Como símbolo desta aproximação, o presidente americano viajará diretamente de Israel para a Arábia Saudita na sexta-feira (15). Um voo direto entre Tel Aviv e Djedda será algo inédito na história dos dois países. 

Palestinos sem expectativas de mudanças
A exemplo de todos os governos americanos, Biden não é exceção e continua sendo profundamente ligado a seu aliado israelense. Ao mesmo tempo, o presidente se apresenta como contrário à colonização, que continua a ocorrer de forma ilegal nos territórios palestinos, seja na Cisjordânia ocupada ou em Jerusalém Oriental. 
Nos tetos de Silwan, bairro palestino da Cidade Santa, bandeiras israelenses e faixas com o símbolo do Islã são hasteadas frente a frente. Tanto os colonos judeus, quanto os árabes querem marcar seus territórios.

"A prefeitura de Jerusalém destrói as casas dos palestinos", diz Fakhri Abu Diab, de 60 anos, que nasceu e vive em Silwan.
"Primeiro eles nos disseram que nossas casas foram construídas sem permissão, mas a maioria das residências daqui existem desde muito antes da ocupação israelense. Depois, a prefeitura mudou de discurso, porque essa questão é puramente política. Agora eles nos dizem que nosso bairro tem uma herança cultural e religiosa do povo judeu, então é preciso destruir nossas casas e erguer um parque nacional, um santuário judeu", denuncia.
Segundo a ONG palestina Centro de Jerusalém pelos Direitos Econômicos e Sociais, 23 mil pedidos de demolição são atualmente analisados, visando residências de palestinos em Jerusalém. Para o diretor desta organização, Zyad el Hamouri, a visita do presidente Biden não mudará nada. 
"Os Estados Unidos são o principal aliado de Israel. Há apenas um único país que pode pressionar Israel: os Estados Unidos. Mas os americanos preferem usar seu direito de veto para proteger a colonização", alega.
Se hoje alguém nos dissesse: 'vocês podem voltar a ser um país', isso seria impossível. Não temos mais continuidade territorial entre as cidades palestinas. Estamos cercados por colônias", explica. 
Mais de 200 mil colonos israelenses vivem em Jerusalém Oriental e quase 500 mil na Cisjordânia ocupada, segundo números de 2020 da ONG israelense B'Tselem. 

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