O decreto de Trump visa restabelecer a autoridade educacional nos Estados, mas gera polêmica sobre diversidade e inclusão

William Oliveira Publicado em 21/03/2025, às 13h00
Na última quinta-feira (20), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promulgou um decreto visando desmantelar o Departamento de Educação, cumprindo uma das promessas de sua campanha eleitoral.
A medida enfrenta resistência, com procuradores-gerais estaduais do partido democrata protocolando uma ação judicial na semana anterior, buscando impedir o fechamento da instituição, que equivale ao Ministério da Educação no Brasil. A ação também exige a suspensão das demissões em massa, que afetam quase metade da equipe do departamento.
O decreto ordena que a secretária de Educação, Linda McMahon, tome as providências necessárias para facilitar o fechamento do Departamento de Educação, restabelecendo a autoridade educacional nos Estados e garantindo a continuidade dos serviços essenciais aos cidadãos americanos.
Além disso, a normativa determina que quaisquer programas ou atividades ainda financiados pelo departamento não devem promover iniciativas relacionadas à diversidade, equidade e inclusão (DEI) ou ideologias de gênero, conforme divulgado pela Casa Branca.
Trump já havia expressado sua intenção de eliminar o departamento, chamando-o de "um grande golpe" e argumentando que os recursos alocados nele são um "desperdício de dinheiro". Tentativas de encerrar a instituição durante seu primeiro mandato não tiveram apoio no Congresso.
A estratégia republicana visa reduzir o financiamento e a influência do Departamento de Educação.
Demissões em massa
Nas redes sociais, Elon Musk, bilionário à frente do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental (Doge), comentou sobre o decreto presidencial, compartilhando uma imagem simbólica do enterro do Departamento de Educação.
— Elon Musk (@elonmusk) March 20, 2025
O governo Trump planeja implementar cortes adicionais em agências federais, com a possibilidade de mais milhares de funcionários públicos serem demitidos nas próximas semanas. Até o momento, o Doge já supervisionou a eliminação de mais de 100 mil postos na força de trabalho civil federal.
Eficiência questionada
Diversas ações judiciais estão em andamento contra as demissões em massa, especialmente aquelas que afetam trabalhadores em estágio probatório e o fechamento abrupto de agências federais. Críticos, incluindo sindicatos, políticos democratas e especialistas em governança, alegam que a abordagem adotada por Musk gerou desorganização, com demissões seguidas de recontratações, sem evidências claras de que os cortes estão resultando em economias significativas.
Oposição afirma que essa iniciativa é uma fachada para o desmantelamento de agências e programas que há muito são considerados problemáticos pelo Partido Republicano.
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