Chanceler iraniano critica ameaças dos EUA e reafirma disposição para diálogos indiretos, enquanto Trump mantém otimismo

Gabriela Thier Publicado em 08/04/2025, às 15h52
Na última segunda-feira (7), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o país iniciará negociações diretas com o Irã no próximo sábado, com o objetivo de discutir o programa nuclear iraniano. Caso se concretize, este será o primeiro encontro entre representantes dos dois países desde a assinatura do acordo nuclear em 2015. A revelação foi feita durante uma coletiva ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, onde ambos abordaram temas relacionados ao comércio e à situação de conflito em Gaza.
Trump, que havia rompido o acordo internacional em 2018 e implementado uma série de sanções econômicas contra Teerã, tem defendido um diálogo direto. No entanto, as autoridades iranianas até agora insistem na realização de conversas indiretas, alegando que a proposta de Trumpé desprovida de sentido. No domingo, um porta-voz do governo iraniano reiterou essa posição ao afirmar que as discussões devem ser mediadas por Omã.
Abbas Araqchi, chanceler iraniano, afirmou que a recusa por negociações diretas se deve às ameaças constantes dos EUA em relação ao uso da força militar. “Estamos dispostos a continuar buscando soluções diplomáticas através de diálogos indiretos”, disse Araqchi. Apesar disso, Trump permanece otimista quanto à reunião marcada para sábado, prometendo um encontro significativo que poderia resultar em um novo acordo. “Este será um diálogo muito importante”, comentou Trump durante sua coletiva na Casa Branca.
Embora tenha garantido a realização da reunião, Trump não revelou detalhes sobre seu local ou possíveis consequências caso as negociações não avancem. Ele insinuou que o Irã enfrentaria sérias repercussões caso as conversas falhassem: “Se não obtivermos sucesso nas negociações, o Irã poderá estar em grande perigo”, alertou.
Desde a assinatura do acordo nuclear em 2015, não houve encontros diretos entre os representantes dos EUA e do Irã. Durante a administração do ex-presidente Joe Biden, tentativas indiretas foram feitas para revitalizar o pacto original, mas sem sucesso. No mês passado, Trump enviou uma carta ao líder supremo iraniano, Ali Khamenei, sugerindo novas conversações diretas sobre um potencial acordo nuclear visando impedir a militarização do programa nuclear do país. Contudo, Teerã negou ter intenções de desenvolver armas nucleares.
A retórica de Trump tornou-se mais agressiva recentemente, levando-o a insinuar ações militares caso as negociações falhem. O presidente iraniano Massoud Pezeshkian criticou essa postura: “Se ele realmente deseja negociar, por que está fazendo ameaças?”, questionou.
Durante a coletiva ao lado de Netanyahu, este permaneceu majoritariamente em silêncio e apenas reiterou que qualquer eventual acordo deve seguir o chamado "Modelo da Líbia", sugerindo que todo o arsenal nuclear iraniano deveria ser desmantelado e enviado para fora do país. Essa comparação é complexa devido à diferença significativa nas circunstâncias: enquanto muitos equipamentos nucleares da Líbia estavam intactos antes de serem entregues aos EUA em 2003, a infraestrutura nuclear do Irã é extensa e consolidada ao longo de décadas de operação e encontra-se em locais subterrâneos profundos por todo o território.
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