Manifestantes acusam Netanyahu de usar o conflito para silenciar críticas e concentrar poder, enquanto 58 reféns permanecem capturados

Gabriela Thier Publicado em 19/03/2025, às 17h17
Nesta quarta-feira (19), Jerusalém (Israel) foi palco de uma manifestação contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta críticas por suas políticas consideradas antidemocráticas. Os protestos surgem em um momento delicado, à medida que a guerra contra o Hamas continua sem que haja um desfecho claro para os 58 reféns mantidos pelo grupo na Faixa de Gaza.
Organizada pela oposição, a mobilização é considerada a maior nos últimos meses e se concentrou em frente ao Parlamento israelense. Dentre os participantes, estavam familiares dos reféns, que expressaram sua insatisfação com a continuidade dos bombardeios na região. Zeev Berar, um dos manifestantes de 68 anos oriundo de Tel Aviv, declarou à AFP: "Esperamos que todo o povo de Israel se una ao movimento e continue até que a democracia seja restabelecida e os reféns sejam libertados".
Os gritos direcionados a Netanyahu foram contundentes, com frases como "Você é o chefe, você tem a culpa" e "Você tem sangue nas mãos" ecoando pelas ruas. Cartazes carregavam mensagens como "Todos somos reféns" e pedidos aos Estados Unidos para "Salvem Israel de Netanyahu". Os familiares dos reféns criticam a decisão do primeiro-ministro em retomar os bombardeios, acreditando que essa ação pode ter colocado em risco a vida daqueles que ainda estão sob cativeiro.
As acusações contra Netanyahu não se limitam apenas à gestão da crise dos reféns. Os manifestantes afirmam que ele está utilizando a situação de conflito para silenciar vozes críticas e concentrar poder em seu governo. Desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, quando 251 pessoas foram sequestradas, 58 ainda permanecem capturadas. O Exército israelense estima que pelo menos 34 delas já podem estar mortas.
Em meio ao clamor público, Netanyahu anunciou no último domingo sua intenção de destituir Ronen Bar, o diretor do Shin Bet, justificando sua falta de confiança no oficial devido ao suposto fracasso em prevenir o ataque de outubro. Além disso, seu governo iniciou um processo legislativo contra a Procuradoria-Geral de Israel, que expressou preocupações sobre as diretrizes políticas atuais.
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