As declarações de Trump e do secretário do Tesouro indicam que as tratativas comerciais com a China estão estagnadas e sem avanços

Gabriela Thier Publicado em 30/05/2025, às 19h44
Na última sexta-feira (30), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a China de ter "violado" um acordo estabelecido entre as duas nações para a redução de tarifas comerciais. Este episódio ocorre em um momento em que as negociações comerciais parecem estar enfrentando um obstáculo significativo. Recentemente, as duas maiores economias globais haviam concordado em suspender o aumento das tarifas, que chegaram a 125% sobre produtos americanos e 145% sobre bens chineses.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, fez declarações ao canal Fox News, indicando que as tratativas comerciais com a China encontram-se "um pouco estagnadas". Em resposta a essas observações, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, reafirmou em uma coletiva de imprensa que Pequim já havia deixado clara sua posição sobre as tarifas em várias ocasiões.
Ação Direta de Trump
Em sua habitual plataforma Truth Social, Trump fez críticas contundentes à China, afirmando: "A China, talvez não surpreendentemente para alguns, VIOLOU TOTALMENTE SEU ACORDO CONOSCO". As afirmações foram destacadas em letras maiúsculas, mas sem detalhes adicionais sobre a natureza da suposta violação.
Durante uma entrevista à CNBC, Jamieson Greer, representante do Comércio dos Estados Unidos, reforçou as acusações contra a China, alegando que o país continua a "desacelerar e sufocar" setores críticos. Ele também destacou que o déficit comercial dos EUA com a China permanece elevado e que Washington não observa mudanças significativas na postura do gigante asiático.
Bessent sugeriu na quinta-feira que uma intervenção direta de Trump e do presidente chinês Xi Jinping poderia ser necessária para avançar nas negociações. Ele comentou que a complexidade e a magnitude das discussões exigem o envolvimento dos líderes máximos. Desde o retorno de Trump ao cargo em janeiro, novas tarifas foram impostas sobre diversos parceiros comerciais dos EUA, com incrementos especialmente altos direcionados à China. Tais medidas resultaram na paralisação substancial do comércio bilateral, uma vez que muitas empresas interromperam os envios enquanto aguardavam um entendimento entre os dois governos.
Recentemente, as iniciativas tarifárias de Trump enfrentaram desafios legais. Um tribunal comercial decidiu esta semana que o presidente ultrapassou sua autoridade ao aplicar poderes econômicos emergenciais para justificar tarifas abrangentes. Embora a corte tenha bloqueado a maioria das tarifas implementadas desde seu retorno ao cargo, essa decisão está suspensa enquanto aguarda apelações.
Apesar dessa decisão judicial, as tarifas aplicadas pelo governo americano sobre importações de setores específicos, como aço e automóveis, permanecem em vigor. Em outro desdobramento em Washington, um juiz federal declarou na quinta-feira que as taxações impostas por Trump ao Canadá, México e China são consideradas "ilegais", mas permitiu sua continuidade por 14 dias para possibilitar recursos por parte das partes envolvidas. O presidente espera que a Suprema Corte intervenha para validar sua política comercial.
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