Decisão anula programa de Biden que protegia imigrantes da Venezuela, Cuba, Haiti e Nicarágua

Gabriela Thier Publicado em 30/05/2025, às 17h05
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, na última sexta-feira (30), permitir que a administração do ex-presidente Donald Trump proceda com a revogação do status legal temporário concedido a aproximadamente 532 mil imigrantes oriundos da Venezuela, Cuba, Haiti e Nicarágua. Essa medida abre as portas para possíveis deportações, embora não afete cidadãos brasileiros.
Esta decisão resulta na anulação de um programa estabelecido em 2022 pelo presidente Joe Biden, que beneficiava exclusivamente os cidadãos desses quatro países. O programa proporcionava uma autorização de entrada legal nos Estados Unidos por um período inicial de dois anos, condicionado à presença de um patrocinador americano que assegurasse suporte financeiro durante a permanência dos imigrantes.
Anteriormente, em março, Trump já havia tentado extinguir o benefício, mas sua tentativa foi bloqueada pela Justiça de Boston no mês seguinte.
No entanto, nesta última decisão, os magistrados não apresentaram justificativas para derrubar a suspensão anterior que impedia a retirada do status. É importante destacar que duas juízas se manifestaram contrárias à nova determinação; o resultado final do julgamento não foi divulgado. A Suprema Corte americana é composta por nove juízes.
A liberdade condicional de imigração é uma forma de permissão temporária segundo a legislação dos Estados Unidos, destinada a permitir a permanência no país por "motivos humanitários urgentes ou benefício público significativo", permitindo assim que os beneficiários possam viver e trabalhar nos EUA.
Posicionamentos sobre a decisão
No processo levado à Suprema Corte, o Departamento de Justiça argumentou que a suspensão do programa tinha causado a desarticulação de "políticas imigratórias essenciais" que foram cuidadosamente formuladas para prevenir a entrada ilegal no país. A administração ainda alegou que isso significava reverter políticas legitimamente aprovadas, destacando sua relevância nas eleições de novembro que trouxeram Trump de volta ao cenário político.
Por outro lado, os imigrantes que contestaram judicialmente a revogação sustentaram perante a Suprema Corte que enfrentariam consequências severas caso sua liberdade condicional fosse revogada. Eles relataram que o governo havia interrompido indefinidamente o processamento de seus pedidos pendentes relacionados ao asilo e outros tipos de auxílio à imigração.
Além disso, enfatizaram o risco iminente de separação familiar e uma rápida deportação para os mesmos países opressivos e instáveis dos quais haviam fugido. Essa situação coloca muitos deles em risco grave de violência, perseguição ou até mesmo morte.
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