A ofensiva militar dos EUA em Caracas representa o auge das tensões entre Washington e o regime de Maduro

por Marina Milani
Publicado em 03/01/2026, às 13h19
Na madrugada de hoje (03), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que forças americanas realizaram ataques militares em diferentes regiões da Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. Segundo Trump, Maduro foi retirado do país junto com a esposa, Cilia Flores, após a operação.
De acordo com o presidente norte-americano, a ação foi conduzida em conjunto com as forças de segurança dos Estados Unidos e envolveu bombardeios em Caracas, a capital venezuelana, além de outras localidades estratégicas. A ofensiva marcou o ponto mais grave da escalada de tensão entre Washington e Caracas nos últimos anos.
Até o momento do anúncio, o governo venezuelano afirmou não ter informações oficiais sobre o paradeiro de Maduro após a ação militar. O regime também denunciou ataques a áreas urbanas e infraestruturas sensíveis do país.
Nicolás Maduro chegou à Presidência da Venezuela em abril de 2013, após vencer uma eleição marcada por forte contestação. Ele foi declarado vencedor com uma margem apertada de 1,49% após a morte de Hugo Chávez. O então candidato da oposição, Henrique Capriles, denunciou fraude e pediu uma auditoria completa dos votos, que nunca foi realizada.
Desde então, Maduro consolidou um regime cada vez mais autoritário, sustentado pelo controle das instituições eleitorais, do Judiciário e das Forças Armadas.
Em março de 2020, o governo dos Estados Unidos apresentou acusações criminais contra Maduro no Tribunal do Distrito Sul de Nova York. A promotoria o aponta como um dos líderes do chamado Cartel dos Sóis, uma organização de narcotráfico que, segundo as autoridades americanas, envolve altos integrantes do governo venezuelano e setores das Forças Armadas.
As acusações afirmam que o grupo facilitou o envio de toneladas de cocaína para os Estados Unidos, utilizando estruturas estatais para proteger rotas, armamentos e operações criminosas. O nome do cartel faz referência ao símbolo presente nos uniformes de oficiais militares de alta patente da Venezuela.
A investigação também inclui outros membros centrais do regime, como Diosdado Cabello e o ex-general Hugo Armando Carvajal, que se declarou culpado em 2025 por conspiração para tráfico internacional de drogas.
Em 2024, Maduro permaneceu no poder mesmo após perder a eleição presidencial para o candidato da oposição, Edmundo González Urrutia, segundo registros eleitorais reunidos pela oposição e validados por observadores internacionais. O Conselho Nacional Eleitoral, controlado pelo regime, declarou Maduro vencedor sem divulgar atas ou permitir auditorias independentes.
González Urrutia, apoiado pela líder opositora María Corina Machado — vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2025 — acabou forçado ao exílio. María Corina também deixou o país após ter sua candidatura vetada pelo regime.
O governo de Maduro é alvo de investigações no Tribunal Penal Internacional por suspeitas de crimes contra a humanidade, relacionados a violações sistemáticas de direitos humanos desde 2014. Organizações internacionais apontam práticas como prisões arbitrárias, perseguição política, tortura e repressão violenta a protestos.
Segundo a ONG Foro Penal, mais de 18 mil pessoas foram presas por motivos políticos desde que Maduro assumiu o poder.
O período do regime chavista sob Maduro também é marcado por uma grave crise humanitária. Dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) indicam que quase 8 milhões de venezuelanos deixaram o país, configurando o maior êxodo da história recente da América Latina.
Relatórios de organizações de direitos humanos apontam que a migração em massa é resultado da combinação entre colapso econômico, insegurança alimentar, repressão política e violência promovida por forças estatais e grupos armados aliados ao regime.
Leia também

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

Loja de fotografia é destruída por incêndio em Campinas; câmeras registram ação de suspeito

Motorista de Porsche morre após colisão contra mureta na Rodovia dos Imigrantes

A Fazenda 18 já tem data de estreia; saiba qual

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Josh Grisetti, estrela de musicais da Broadway, morre aos 44 anos

Moraes suspende visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias e investiga possível propaganda eleitoral antecipada

Grupo quer Flávio longe de Lucas Bove; deputado é réu e defende "corrupto cristão"

São Paulo tem queda de casos graves ligados à influenza

Dino bloqueia R$ 6,15 milhões de Eduardo Cunha em apuração sobre emendas parlamentares