A Rússia ficou ainda mais perto de um calote da sua dívida internacional nesta quarta-feira (6), uma vez que pagou em rublos detentores de seus eurobônus

Redação Publicado em 06/04/2022, às 00h00 - Atualizado às 12h51
A Rússia ficou ainda mais perto de um calote da sua dívida internacional nesta quarta-feira (6), uma vez que pagou em rublos detentores de seus eurobônus denominados em dólar e disse que continuará a fazer isso enquanto suas reservas cambiais estiverem bloqueadas por sanções.

Na segunda-feira (4), os Estados Unidos (EUA) impediram a Rússia de pagar aos detentores de sua dívida soberana mais de 600 milhões de dólares em reservas mantidas em bancos norte-americanos, dizendo que Moscou deveria escolher entre drenar suas reservas em dólares ou dar calote.
A Rússia não dá default em sua dívida externa desde que deixou de fazer pagamentos após a Revolução Bolchevique de 1917.
O Kremlin disse que continuará a pagar suas dívidas.
“A Rússia tem todos os recursos necessários para pagar suas dívidas se esse bloqueio continuar e os pagamentos para o serviço da dívida forem bloqueados, (pagamentos futuros) poderão ser feitos em rublos”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Com um total de 15 títulos internacionais com valor de face de cerca de 40 bilhões de dólares pendentes, Moscou conseguiu fazer uma série de pagamentos de cupons de seus eurobônus antes de os EUA interromperem essas transações.
O Ministério das Finanças russo disse hoje que pagou em rublos os detentores dos eurobônus denominados em dólares com vencimento em 2022 e 2042, já que um banco estrangeiro recusou-se a processar uma ordem de pagar 649 milhões de dólares a detentores da dívida soberana.
Segundo o ministério, o banco, cujo nome não divulgou, também não processou o pagamento referente ao vencimento de um título neste ano.
A capacidade da Rússia de cumprir suas obrigações da dívida está em foco, depois que sanções ocidentais em resposta ao que a Rússia chama de “operação militar especial” na Ucrânia congelaram quase metade das reservas estatais do país e limitaram o acesso de Moscou aos sistemas globais de pagamento.
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EBC
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