Milei afirma que não promoveu a Libra, mas a divulgou como uma opção para financiar pequenas empresas

Gabriela Thier Publicado em 18/02/2025, às 15h44
Em meio a uma das crises mais intensas desde que assumiu o cargo, o presidente da Argentina, Javier Milei, quebrou o silêncio nesta segunda-feira (17) para abordar as recentes acusações envolvendo sua suposta promoção de uma criptomoeda por uma empresa privada. Durante uma entrevista concedida ao canal TN (Todo Notícias), Mileienfrentou questionamentos sobre o episódio, que tem sido chamado pela imprensa local de "criptogate".
Entrevistado pelo jornalista Jonatan Viale, o presidente procurou minimizar a gravidade das alegações sobre seu envolvimento e o de outros membros do governo na criação da Libra, uma criptomoeda que ele anunciou no X(anteriormente Twitter) como uma ferramenta para financiar pequenas empresas argentinas. "Não tenho nada a esconder, posso falar com tranquilidade", declarou Milei, ao longo de uma conversa que durou mais de uma hora.
O mandatário tentou esclarecer que não atuou para promover diretamente a Libra ou o projeto Viva La Libertad, do qual a criptomoeda faz parte. "Eu não a promovi. Eu a difundi", afirmou, explicando que sua intenção era divulgar um projeto que poderia auxiliar no financiamento de empreendedores locais. Entretanto, reconheceu que a repercussão gerada após seu tweet fez com que ele se sentisse compelido a apagar a postagem.
A divulgação do apoio presidencial à iniciativa provocou um aumento significativo no valor da criptomoeda, resultando em lucros substanciais para os primeiros investidores. Contudo, conforme surgiram preocupações sobre possíveis fraudes, o valor da Libra sofreu uma queda abrupta, gerando perdas para muitos investidores. Especialistas e críticos de Milei levantaram dúvidas sobre a legitimidade do empreendimento.
Defendendo-se das críticas, Milei ressaltou que os investidores estavam cientes dos riscos envolvidos na negociação de ativos digitais e caracterizou o evento como um problema entre particulares. Ele afirmou que a informação de 44 mil pessoas prejudicadas era exagerada, sugerindo que o número real de afetados poderia ser bem menor e predominantemente composto por investidores estrangeiros. "O Estado argentino não perdeu nada com isso", argumentou.
Milei também mencionou ações do governo em resposta às alegações: foi criada uma força-tarefa dentro da presidência para investigar as circunstâncias relacionadas ao projeto Viva La Libertad e à Libra. Além disso, ele revelou que o Gabinete Anti Corrupção apurará se algum membro do governo violou normas éticas.
Refletindo sobre as lições aprendidas com essa situação, Milei admitiu que precisa estabelecer limites na comunicação com o público e melhorar os filtros para projetos apresentados ao seu gabinete. "Por querer ajudar alguns empreendedores argentinos, acabei enfrentando consequências inesperadas", concluiu, aguardando os resultados das investigações judiciais para determinar se houve favorecimento impróprio por parte de algum funcionário do governo.
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