Commodity dispara após escalada do conflito e aumenta temores sobre inflação e oferta global de energia

Erika Osti Publicado em 09/03/2026, às 14h18
A intensificação da guerra no Oriente Médio provocou uma nova onda de turbulência nos mercados internacionais nesta semana. O preço do petróleo disparou e voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril, chegando a se aproximar de US$ 120 em determinados momentos, enquanto bolsas de valores em diferentes regiões do mundo registraram fortes quedas. O avanço acelerado da commodity ocorre diante do temor de que o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã comprometa a oferta global de energia, ao pressionar a inflação e aumentar os riscos para a economia mundial.
O movimento de alta ganhou força após os ataques envolvendo instalações energéticas e rotas estratégicas da região do Golfo Pérsico, área responsável por uma parcela significativa da produção e do transporte global de petróleo e gás natural. Com a guerra entrando na segunda semana sem sinais claros de trégua, investidores passaram a reagir com cautela diante da possibilidade de interrupções prolongadas no fornecimento de combustível.
Na madrugada desta segunda-feira (9), os contratos futuros do petróleo chegaram a superar os US$ 119 por barril, nível que não era observado desde 2022, período marcado pelo impacto da guerra na Ucrânia sobre o mercado energético. Mesmo com uma leve desaceleração ao longo do pregão, a commodity permaneceu em patamar elevado.
O barril do West Texas Intermediate, referência nos Estados Unidos, acumulou valorização de cerca de 35% na última semana. Já o Brent, referência internacional negociada no mercado europeu, também registrou ganhos expressivos e avançou mais de 27% no mesmo período.
O disparo nos preços ocorre em um momento crítico para a logística global de energia. O tráfego no Estreito de Ormuz, rota marítima considerada uma das mais estratégicas do planeta, foi interrompido desde o início da guerra. A região concentra aproximadamente 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo, o que amplia o temor de desabastecimento caso o conflito se prolongue.
Além disso, ataques recentes atingiram áreas de produção no sul do Iraque e na região curda do país, enquanto Emirados Árabes Unidos e Kuwait também reduziram suas atividades petrolíferas após ataques atribuídos ao Irã. Esse cenário aumentou a preocupação com a capacidade do mercado global de suprir a demanda por combustíveis.
A reação foi imediata nos mercados financeiros. As bolsas asiáticas registraram algumas das maiores quedas do ano. Em Seul, o índice caiu 5,96%, enquanto a bolsa de Tóquio recuou 5,2%. Taiwan também registrou perdas expressivas e Hong Kong encerrou o dia no campo negativo.
Na Europa, o movimento se repetiu. As principais bolsas do continente operaram em queda generalizada, refletindo o receio de que a escalada militar provoque uma nova pressão inflacionária, especialmente no setor de energia.
Nos Estados Unidos, os índices de Wall Street também foram pressionados pela alta do petróleo. Analistas alertam que a energia mais cara tende a impactar toda a cadeia produtiva, elevando custos de transporte, produção e consumo.
No mercado de câmbio, o dólar ganhou força frente a outras moedas, comportamento típico em momentos de instabilidade global. O euro atingiu o menor patamar em mais de três meses, enquanto a libra esterlina e o iene japonês também perderam valor diante da moeda americana.
No Brasil, o cenário foi parcialmente diferente. O Ibovespa registrou leve alta impulsionado pelas ações de empresas do setor de petróleo, que acompanharam o avanço da commodity no mercado internacional.
Especialistas apontam que, se a guerra continuar afetando rotas e instalações energéticas, os preços podem subir ainda mais. A dificuldade de ampliar rapidamente a produção global pode levar o barril a patamares próximos de US$ 150 caso a crise se prolongue.
Diante desse cenário, países do G7 discutem a possibilidade de liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo em uma tentativa de conter a escalada dos preços e reduzir o impacto sobre a economia global.
O G7 é um fórum que reúne as maiores potências econômicas do mundo para discutir medidas conjuntas diante de crises financeiras, energéticas e geopolíticas. O grupo reúne Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão, além da participação da União Europeia nas discussões econômicas.
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