A escassez de alimentos e medicamentos em Gaza se agrava e a ONU critica a quantidade de ajuda liberada

Gabriela Thier Publicado em 20/05/2025, às 16h59
A Organização das Nações Unidas (ONU) recebeu, nesta terça-feira, autorização do governo israelense para enviar aproximadamente 100 caminhões carregados de ajuda humanitária à Faixa de Gaza. A informação foi divulgada pelo porta-voz do Gabinete de Assuntos Humanitários da ONU, Jens Laerke, durante uma coletiva de imprensa.
De acordo com Laerke, essa autorização não apenas possibilita o envio da nova remessa de ajuda, mas também a recuperação dos primeiros cinco caminhões que já haviam sido enviados desde que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou a permissão para a entrada de uma quantidade básica de alimentos, em um esforço para prevenir a fome na região.
Desde o dia 2 de março, a entrada de ajuda humanitária em Gaza estava bloqueada, resultando em uma grave crise de escassez de alimentos, água potável, combustível e medicamentos. Essa situação se agrava em meio ao conflito que assola o território palestino há mais de 19 meses, conforme relatado por agências da ONU e diversas organizações não governamentais (ONGs) atuantes na área.
A indignação gerada por essa situação foi expressa por várias entidades internacionais. O chefe do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Tom Fletcher, descreveu a quantidade de ajuda autorizada como "lamentável".
A Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA) também se manifestou, destacando que "a única coisa que entra em Gaza são bombas", sublinhando as dificuldades enfrentadas para a entrega de ajuda humanitária mesmo com o levantamento do bloqueio por Israel. Em um comunicado, a UNRWA afirmou que os intensos bombardeios israelenses causaram centenas de mortes e um deslocamento em massa da população. A organização lembrou que durante 11 semanas as autoridades israelenses mantiveram um bloqueio rigoroso sobre todos os suprimentos destinados à Gaza.
Segundo o relatório divulgado pela UNRWA, "a Faixa de Gaza enfrenta provavelmente sua pior crise humanitária desde outubro deste ano", quando começou uma nova ofensiva militar israelense em resposta aos ataques realizados no dia 7 de outubro pelo Hamas e outras facções palestinas.
A Oxfam Intermón, parte da confederação internacional focada no combate à pobreza, também se posicionou sobre a situação. A organização criticou o "fluxo limitado" de ajuda como insuficiente e pediu pela criação de "corredores seguros" para facilitar uma resposta humanitária abrangente e eficaz. Além disso, enfatizou a necessidade urgente do fim dos bombardeios contínuos para evitar o agravamento da crise.
Wassem Mushtaha, líder da Oxfam Intermón, destacou que mais de dois milhões de pessoas estão à beira da fome devido ao bloqueio prolongado que impede a entrada de alimentos e medicamentos essenciais. Ele alertou sobre o estado desesperador em que se encontram os habitantes: "As pessoas estão famintas, traumatizadas, doentes e deslocadas das suas casas".
Mushtaha também enfatizou que a permissão para o envio restrito dos caminhões não deve ser interpretada como um avanço significativo na resolução da crise humanitária em Gaza, especialmente diante da intensificação das operações militares israelenses na região. Ele observou que essa autorização representa uma pequena concessão frente à crescente pressão internacional por mudanças na situação.
Vale ressaltar que Israel havia bloqueado completamente a entrada de qualquer tipo de ajuda humanitária desde o dia 2 de março, quebrando um cessar-fogo previamente estabelecido entre Tel Aviv e o Hamas.
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