O presidente brasileiro expressou preocupação com a presença militar dos EUA na região

Gabriela Thier Publicado em 17/10/2025, às 15h57
No contexto das crescentes tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o país, assim como à Cuba, em um evento realizado em Brasília. Embora não tenha mencionado diretamente o ex-presidente Donald Trump, suas declarações ocorreram logo após a confirmação de que a CIA recebeu autorização para realizar operações secretas na Venezuela.
Durante sua fala, o presidente refutou comparações entre Brasil e Venezuela, afirmando que cada país deve seguir seu próprio caminho: "Todo mundo diz que a gente vai transformar o Brasil na Venezuela. O Brasil nunca vai ser a Venezuela, e a Venezuela nunca vai ser o Brasil, cada um será ele [próprio]. O que defendemos é que o povo venezuelano é dono do seu destino, e não é nenhum presidente de outro país que tem que dar palpite de como vai ser a Venezuela ou vai ser Cuba".
A declaração de Lulareflete uma preocupação compartilhada por diversos países da América Latina em relação ao aumento da presença militar dos EUA na região, especialmente nas águas do Caribe. O envio de tropas e recursos militares norte-americanos foi justificado oficialmente como parte de uma operação contra o tráfico de drogas, mas críticos apontam para uma possível intenção de promover uma mudança de regime no país sul-americano.
Além de abordar a situação da Venezuela, o presidente brasileiro criticou a inclusão de Cuba na lista de países considerados patrocinadores do terrorismo. "O que nós dizemos publicamente é que Cuba não é um país de exportação de terroristas. Cuba é um exemplo de povo e dignidade", afirmou Lula.
A relação dos EUA com Cuba remonta à década de 1960, quando começou um embargo econômico com o objetivo explícito de alterar seu sistema político. As recentes administrações americanas, especialmente sob Trump, intensificaram as medidas punitivas, incluindo pressões sobre países que colaboram com serviços médicos cubanos, em um momento em que a ilha enfrenta uma grave crise econômica e frequentes apagões.
Por outro lado, a situação da Venezuela tem sido marcada por conflitos armados e ataques realizados por forças militares dos EUA. Desde agosto, reportagens indicam que os Estados Unidos têm enviado navios de guerra e aviões para operações na região, resultando em ações violentas contra embarcações suspeitas.
Especialistas em política internacional sugerem que os interesses geopolíticos dos EUA na Venezuela estão relacionados principalmente às vastas reservas petrolíferas do país. A abordagem agressiva do governo Trump é vista como um possível retorno a intervenções americanas em países da América Latina sempre que seus interesses estiverem ameaçados, lembrando as práticas observadas durante a Guerra Fria.
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