ONU alerta para falta de água, comida e assistência médica no norte de Gaza

Gabriela Thier Publicado em 22/10/2024, às 14h53
Nas últimas três semanas, a intensificação do bloqueio imposto por Israelno norte da Faixa de Gaza resultou em uma crise humanitária severa, com a região enfrentando escassez crítica de água, alimentos e serviços médicos. De acordo com a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), que mantém operações no norte de Gaza, as autoridades israelenses têm barrado a entrada de ajuda humanitária no território.
O diretor da ONU, Philippe Lazzarini, revelou na terça-feira (22) que o norte do enclave tem sido alvo de bombardeios contínuos por parte de Israel ao longo desse período. “Nossos funcionários relatam que não conseguem encontrar comida, água ou assistência médica. O cheiro da morte está em todo lugar, com corpos sendo deixados nas estradas ou sob os escombros. Missões para limpar os corpos ou fornecer assistência humanitária são negadas”, declarou Lazzarini em uma plataforma social.
A estimativa é de que dezenas de milhares de palestinos ainda estejam na área afetada. A UNRWA tem feito reiterados apelos para que Israel permita a entrada de assistência no local.
A agência também destacou que pessoas que tentam escapar são frequentemente mortas, com seus corpos deixados nas ruas, enquanto operações para resgatar feridos sob os destroços são bloqueadas.
“No norte de Gaza, as pessoas estão apenas esperando para morrer. Eles se sentem abandonados, sem esperança e sozinhos. Eles vivem de uma hora para a outra, temendo a morte a cada segundo”, acrescentou Lazzarini.
Josep Borrell Fontelles, alto-representante da União Europeia para assuntos externos, também se pronunciou sobre a crítica situação na região. Ele descreveu os relatos vindos do local como horripilantes e solicitou que observadores internacionais e meios de comunicação possam acessar a área.
"O sofrimento humano decorrente da fome induzida e do deslocamento forçado é injustificável. Condeno veementemente os intensos bombardeios e a destruição das instalações da UNRWA", expressou Fontelles através de uma rede social.
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