Segundo a instituição, o site disponibiliza acesso gratuito a dados sobre 1.187 transportes de prisioneiros e 265.702 indivíduos

William Oliveira Publicado em 28/11/2024, às 10h14
O Memorial e Museu de Auschwitz-Birkenau, localizado na Polônia, lançou recentemente uma inovadora ferramenta digital que possibilita a consulta de informações detalhadas sobre as vítimas do campo de concentração nazista, além de dados referentes aos transportes de prisioneiros para o local.
Conforme divulgado pela instituição, estabelecida no antigo campo de extermínio homônimo, o site victims.auschwitz.org disponibiliza acesso gratuito a dados sobre 1.187 transportes de prisioneiros e 265.702 indivíduos. Este projeto é fruto de "anos de trabalho" e da análise minuciosa de aproximadamente um milhão de documentos.
Piotr Cywiński, diretor do museu, apresentou a nova ferramenta em uma coletiva nesta terça-feira (26/11), destacando seu valor tanto para historiadores quanto para aqueles interessados em compreender mais profundamente este sombrio capítulo da história. A plataforma atende desde familiares de vítimas e sobreviventes até pesquisadores que desejam explorar esse período.
Cywiński ressaltou a importância da recuperação e divulgação das identidades das vítimas de Auschwitz como uma missão central do museu. Ele observou que os soldados da SS privaram essas pessoas de sua humanidade e tentaram apagar suas identidades ao destruir provas dos crimes cometidos.
Para os administradores nazistas, as vítimas eram meramente números. Em contrapartida, o museu se empenha em resgatar seus nomes, rostos e histórias pessoais. A ferramenta digital criada é o resultado de anos de dedicação por parte dos arquivistas do museu e oferece uma cronologia detalhada dos transportes para Auschwitz. As informações incluem o número de deportados, a faixa numérica atribuída a homens e mulheres, e a quantidade de pessoas assassinadas nas câmaras de gás.
O mecanismo permite que usuários busquem informações específicas sobre deportações e destinos das vítimas. Os transportes estão associados aos nomes dos prisioneiros, possibilitando buscas personalizadas por sobrenome, data de encarceramento ou local de deportação. Os dados também são integrados a um mapa interativo que ilustra as origens das deportações.
Além disso, o site compila informações provenientes de diversas fontes, como listas alemãs de transporte, relatos de poloneses deportados e estudos acadêmicos. No entanto, a instituição alerta que a escassez relativa de documentos preservados implica que nem todas as vítimas possam ser identificadas pelo nome completo.
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