Um caminhão que transportava combatentes do Talibã foi atacado neste domingo (19) em Jalalabad, perto da fronteira com o Paquistão e, embora inicialmente não

Redação Publicado em 19/09/2021, às 00h00 - Atualizado às 15h04
Um caminhão que transportava combatentes do Talibã foi atacado neste domingo (19) em Jalalabad, perto da fronteira com o Paquistão e, embora inicialmente não tenham sido confirmadas mortes, vários ocupantes do veículo tiveram que ser levados ao hospital. O ataque ocorreu menos de 24 horas após um episódio semelhante na cidade do leste do Afeganistão, informou a mídia local.
O ataque ocorreu em um trevo rodoviário em direção à capital, Cabul. Ontem (18), pelo menos duas pessoas morreram e 19 ficaram feridas em vários ataques com explosivos em Jalalabad, os primeiros desde a retirada total das tropas norte-americanas.
Embora os ataques ainda não tenham sido reivindicados, Jalalabad é reduto de membros do Estado Islâmico no Afeganistão, chamado Isis-K, um grupo armado rival do Talibã que já assumiu a responsabilidade pelo atentado que custou a vida a mais de 100 pessoas no aeroporto de Cabul, em 26 de agosto, durante evacuações caóticas.
O porta-voz do Talibã na cidade de Kunduz, Matiula Ruhani, pediu neste domingo mais ajuda de toda a comunidade internacional, após frisar que o movimento não é de “terroristas” e que trouxe paz ao país centro-asiático.

Kunduz, no norte do Afeganistão, foi tomada pelo grupo islâmico em 8 de agosto, no início da ofensiva que levou o Talibã a assumir o controle de todo o território apenas uma semana após conquistar Cabul. Segundo Ruhani, a ajuda internacional pode ser em investimentos, projetos de reconstrução ou “qualquer tipo de apoio humanitário ao governo ou aos cidadãos do Afeganistão”. Ele criticou a comunidade internacional por apoiar o que descreveu como um “governo corrupto” no Afeganistão nos últimos 20 anos e interromper a ajuda assim que o Talibã assumiu o poder.
Ruhani evitou, porém, comentar as medidas adotadas pelo Talibã em relação às mulheres, limitando-se a observar que o grupo valoriza todos os cidadãos igualmente. Governos de todo o mundo estão avaliando a melhor forma de tratar o grupo, conscientes do histórico sombrio de direitos humanos que o precede, enquanto trabalham para aliviar o crescente desastre humanitário que o país enfrenta.
A Comissão Independente de Direitos Humanos do Afeganistão (Cidha) anunciou oficialmente no sábado a suspensão de suas atividades devido à impossibilidade de colocá-las em prática desde 15 de agosto, data em que o Talibã tomou Cabul. A organização denunciou, em um comunicado, o “contínuo desrespeito aos direitos humanos” do Talibã e citou como exemplos os ataques a defensores dos direitos humanos e “violações flagrantes do direito internacional humanitário”.
A liderança da comissão tem pouca confiança de que um governo talibã respeitará as funções e sua independência, diz o texto, que menciona as “restrições” impostas pelo movimento às atividades de trabalho e à participação das mulheres na vida pública. “O povo afegão precisa de um órgão independente de direitos humanos para que possa fazer suas denúncias sobre violações de seus direitos com garantias de que isso não o colocará em perigo”, acrescentou.
A suspensão da atividade da comissão soma-se às restrições de ativistas da sociedade civil e da liberdade de expressão, o que representa “uma redução drástica na capacidade dos afegãos de monitorar e se proteger de graves violações dos direitos humanos”, acrescenta o comunicado da Cidha, que pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) e, em particular, ao Conselho de Direitos Humanos da organização, para criar um “mecanismo independente de monitoramento de violações dos direitos humanos no Afeganistão”.
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Agência Brasil
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