Cerca de 1000 peregrinos morreram em Meca devido ao calor extremo durante o hajj, com temperaturas atingindo 51,8ºC

Sabrina Oliveira Publicado em 20/06/2024, às 09h05
Durante a peregrinação anual do hajj, mais de 1000 muçulmanos perderam a vida devido às condições extremas de calor. As temperaturas na Grande Mesquita de Meca chegaram a atingir 51,8ºC na sombra, conforme informou a TV estatal saudita nesta segunda-feira (17). A peregrinação, que começou na última sexta-feira (14), atraiu aproximadamente 1,8 milhão de fiéis de todo o mundo. A agência de notícias AFP compilou dados que registram mais de 1000 mortes até o momento. As vítimas incluem peregrinos do Egito, Tunísia, Indonésia, Irã, Senegal e Jordânia. Dentre os falecidos, pelo menos 381 são egípcios, com mortes atribuídas principalmente a doenças provocadas pelo calor, conforme revelado por diplomatas na Arábia Saudita.
O hajj deste ano se destacou pelas temperaturas extremas que ultrapassaram as previsões iniciais de 48ºC, chegando a quase 52ºC. Autoridades sauditas tomaram medidas para ajudar os peregrinos a suportar o calor intenso, incluindo a instalação de nebulizadores na área externa e guardas borrifando água nos fiéis. No entanto, estas medidas não foram suficientes para evitar a fatalidade.
O porta-voz do Ministério da Saúde saudita, Mohammed al-Abdulali, revelou que no ano passado o governo atendeu mais de 10 mil peregrinos com problemas relacionados ao calor. No entanto, o número de mortos este ano foi significativamente maior, destacando a severidade das condições climáticas enfrentadas pelos peregrinos.
A maior parte das mortes ocorreu devido a doenças induzidas pelo calor, mas também houve relatos de tumultos na multidão que resultaram em mortes. O necrotério do hospital do bairro Al Muaisem em Meca confirmou o falecimento de 323 egípcios e outros 60 jordanianos.
O hajj é um dos cinco pilares do Islã, obrigando todo muçulmano que tenha condições financeiras e físicas a realizar a peregrinação a Meca pelo menos uma vez na vida. Este evento anual é uma fonte de prestígio para a Arábia Saudita, cujo rei é conhecido como o "Guardião das duas mesquitas sagradas" de Meca e Medina. O governo saudita emite vistos para Meca com base em um sistema de cotas por país, mas muitos peregrinos, sem acesso aos meios necessários, chegam ao local sem poder usufruir das instalações climatizadas.
O hajj começa com o rito do "tawaf", no qual os fiéis circundam a Kaaba, a estrutura cúbica preta localizada no coração da Grande Mesquita de Meca, em direção à qual todos os muçulmanos rezam. Posteriormente, os fiéis se dirigem a Mina, um vale cercado por montanhas rochosas, onde passam a noite em tendas climatizadas.
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