Quando Kamala Harris assumiu a vice-presidência dos EUA estava naturalmente implícito que ela receberia de Joe Biden o bastão para concorrer a titular da Casa

Redação Publicado em 12/11/2021, às 00h00 - Atualizado às 08h55
Quando Kamala Harris assumiu a vice-presidência dos EUA estava naturalmente implícito que ela receberia de Joe Biden o bastão para concorrer a titular da Casa Branca em 2024. Em dez meses no cargo, porém, a certeza de que ela será a sucessora do presidente não parece tão clara.
A estrela de Harris, como a mulher politicamente mais poderosa do país, perdeu o brilho, tornando-a praticamente invisível. Apenas 28% dos eleitores aprovam o seu desempenho, de acordo com a pesquisa USA Today/Suffolk University divulgada esta semana. O índice de rejeição é de 51%, o que faz dela a vice-presidente mais impopular dos últimos 50 anos.
Na campanha, seu nome deu equilíbrio e energia à chapa liderada por um político veterano que não almeja concorrer ao segundo mandato com 82 anos. Como pioneira — primeira vice-presidente mulher, negra e de origem asiática — Harris tinha tudo para revitalizar o cargo, mas as expectativas de que ela teria um papel proeminente se frustraram: a vice parece pouco à vontade e sem função.
Ao receber de Biden a atribuição de tentar reduzir o fluxo de imigração ilegal na fronteira sul do país, Harris foi criticada sobretudo pelos republicanos por demorar a visitar a região. Quando finalmente chegou ao México e à Guatemala, em junho, agiu de forma desastrada: “Não venham para os EUA”, advertiu os possíveis migrantes da América Central.
De início, o presidente e sua vice circulavam juntos — 38 vezes em fevereiro, por exemplo. Nos últimos dois meses, contudo, foram vistos apenas duas vezes em público.

“Não há muita coisa que Harris possa fazer que Biden ainda não tenha feito — incluindo atuar no cargo que ela ocupa agora”, escreveu Mark Barabak, colunista do “Los Angeles Times”. Isso significa que o presidente tem experiência e traquejo suficientes na vida política de Washington — 36 anos como senador e oito como vice-presidente — para precisar que Harris seja sua emissária para destravar algum imbróglio.
O momento é crítico para a dupla Biden-Harris, a um ano das eleições de meio de mandato, com ameaça de os democratas perderem a maioria no Congresso. A impopularidade da vice vem a reboque da do presidente, que tem 38% de aprovação. O problema é que Kamala Harris deveria ser o sinônimo da renovação.
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g1
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