Diário de São Paulo
Siga-nos

Secretário de Trump afirma que Brasil não é país amigável aos EUA

Declaração de Marco Rubio ocorre em meio a novas tensões comerciais entre os dois países

Rubio eleva tom contra o Brasil e cita país fora de grupo de parceiros dos EUA - Imagem: Reprodução
Rubio eleva tom contra o Brasil e cita país fora de grupo de parceiros dos EUA - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 02/06/2026, às 18h35


O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o Brasil não faz parte do grupo de países considerados aliados estratégicos de Washington no continente americano. A declaração foi dada durante uma audiência no Senado americano, na qual o chefe da diplomacia do governo Donald Trump defendeu a política externa adotada pelos EUA para a América Latina e o Caribe.

Ao falar sobre o cenário regional, Rubio disse que os Estados Unidos contam atualmente com uma ampla rede de governos alinhados em pautas de segurança e desenvolvimento econômico. Segundo ele, as exceções seriam Nicarágua, Cuba, Venezuela e o Brasil, que, em sua avaliação, atravessa um contexto político específico por conta do período eleitoral.

O secretário afirmou que a região vive um momento favorável para o fortalecimento das relações com Washington e defendeu que os EUA aproveitem a atual conjuntura para ampliar sua presença no continente. Rubio argumentou que, após duas décadas de “negligência”, países como a China expandiram sua influência em áreas consideradas estratégicas para os interesses americanos.

Crise comercial

A fala ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington. Na véspera, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação sobre práticas comerciais adotadas pelo Brasil.

O relatório aponta supostas medidas que, na visão do governo americano, criariam obstáculos ao comércio bilateral. Entre os temas citados estão o sistema de pagamentos Pix, questões ligadas ao combate à pirataria, a fiscalização ambiental e a aplicação de normas anticorrupção.

Apesar da proposta, a sobretaxa ainda não entrou em vigor. Pelas regras americanas, a medida precisa passar por etapas administrativas, análise técnica e consultas públicas antes de uma decisão final.

As declarações de Rubio também acontecem poucos dias depois de o governo dos Estados Unidos anunciar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida que gerou repercussão entre autoridades brasileiras.

Lula reage

Em agenda realizada nesta terça-feira (2), em Catalão (GO), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu às declarações do secretário de Estado. O petista afirmou que Rubio mantém posições hostis em relação a países latino-americanos e o classificou como um político contrário aos interesses da região.

O presidente ainda associou a recente pressão comercial dos Estados Unidos à atuação de integrantes da família Bolsonaro. Sem citar fatos específicos, Lula acusou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de buscar apoio externo para influenciar decisõesrelacionadas ao cenário político brasileiro.

Flávio rebate

Ainda nesta terça, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou um ofício enviado a Marco Rubio pedindo que os Estados Unidos não adotem novas barreiras comerciais contra o Brasil.

No documento, o parlamentar argumenta que a economia brasileira enfrenta desafios fiscais e que uma eventual ampliação das tarifas poderia gerar impactos negativos para empresas, trabalhadores e consumidores. Flávio também defendeu que divergências políticas não devem resultar em prejuízos ao setor produtivo nacional.

A movimentação ocorre após o senador informar que havia solicitado ao presidente Donald Trump que evitasse medidas capazes de afetar as exportações brasileiras, especialmente em um momento de incerteza econômica e diplomática entre os dois países.


últimas notícias