Embora mais flexível, nova política exige comprovação de ascendência e contrato prévio com empresa italiana

Gabriela Nogueira Publicado em 04/12/2025, às 15h40
A Itália deu um passo importante na tentativa de preencher vagas de trabalho que permanecem abertas em diversos setores da economia. O governo anunciou um novo decreto que remove o limite anual de vistos de trabalho para descendentes de italianos em sete países, incluindo o Brasil, abrindo caminho para que mais profissionais possam atuar legalmente em território italiano.
A decisão atinge diretamente cidadãos de Brasil, Argentina, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Venezuela e Uruguai, nações que concentram alguns dos maiores contingentes de descendentes de italianos no mundo. A mudança ocorre em meio ao envelhecimento acelerado da população italiana e à crescente dificuldade das empresas em encontrar trabalhadores.
O decreto, divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional, passa a permitir que descendentes solicitem vistos de trabalho sem enfrentar o antigo teto anual de concessões. Até então, todos os estrangeiros estavam sujeitos ao limite estabelecido pelo chamado Decreto de Fluxo, que para 2023 autorizava a entrada de 165 mil trabalhadores.
Para solicitar o visto, no entanto, continuam valendo duas exigências centrais: o candidato deve comprovar a ascendência italiana e apresentar um contrato de trabalho firmado previamente com um empregador local. O documento não pode ser usado como porta de entrada para a cidadania italiana e sua validade acompanhará a duração do contrato profissional.
A medida se soma às estratégias da primeira-ministra Giorgia Meloni, que mantém uma postura rígida sobre imigração, mas vê nas comunidades ítalo-descendentes uma alternativa para suprir setores carentes de mão de obra, como turismo, agricultura e indústria. Segundo o decreto, a lista de países beneficiados foi definida com base no número de cidadãos italianos registrados no AIRE, o cadastro oficial de italianos que vivem no exterior, todos com mais de 100 mil residentes.
Apesar da flexibilização nos vistos, a lei que restringe o reconhecimento da cidadania italiana continua em debate. A norma aprovada em maio limita o direito apenas a filhos e netos de italianos, deixando de fora bisnetos e gerações mais distantes. O texto aguarda julgamento na Corte Constitucional, previsto para março do próximo ano. Quem já iniciou o processo permanece amparado pelas regras antigas.
Com a nova política, o governo sinaliza que pretende ampliar a entrada de trabalhadores com vínculos culturais com a Itália, ao mesmo tempo em que mantém controle rígido sobre a imigração em geral. Especialistas avaliam que a medida pode acelerar contratações e atrair jovens profissionais, sobretudo da América Latina.
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