Ataques aéreos israelenses visam centrífugas nucleares e mísseis, aumentando tensões na região

William Oliveira Publicado em 18/06/2025, às 10h20
Na madrugada desta quarta-feira (18), as Forças de Defesa de Israel (IDF) desencadearam uma série de ataques aéreos direcionados a instalações iranianas, segundo informações oficiais militares israelenses. O alvo principal foi uma unidade dedicada à produção de centrífugas para enriquecimento de urânio — instrumento vital para o combustível nuclear, mas que, segundo Israel, o Irã utiliza para elevar o teor de enriquecimento a níveis críticos, superiores a 60%, muito além do aceitável para fins civis.
As centrífugas têm um papel fundamental na forja do combustível que alimenta usinas nucleares, porém, quando o enriquecimento ultrapassa o limiar de 60%, cresce o temor de que a tecnologia esteja sendo destinada a fins bélicos. Especialistas advertem que, ao alcançar 90%, o enriquecimento pode possibilitar a fabricação de armamento nuclear, aumentando o espectro da ameaça regional e global.
Em nota oficial, as IDF afirmaram:
"Como parte do amplo esforço para prejudicar o programa de desenvolvimento de armas nucleares do Irã, um local de produção de centrífugas em Teerã foi atacado. O regime iraniano está enriquecendo urânio destinado ao desenvolvimento de armas nucleares. É importante ressaltar que o desenvolvimento nuclear para uso civil não requer enriquecimento nesses níveis."
Além das centrífugas, os ataques israelenses atingiram instalações ligadas à produção de sistemas e componentes para mísseis, abrangendo lançadores terrestres e aéreos. A ofensiva mobilizou mais de 50 caças da Força Aérea israelense, numa demonstração contundente de força.
Em retaliação, o Irã lançou mísseis contra o território israelense na mesma madrugada. Alertas sonoros soaram no norte de Israel diante de uma suposta infiltração aérea, levando o exército israelense a ativar seus sistemas de defesa e recomendar que a população permaneça em locais seguros até novas orientações.
Esse ciclo de violência começou na noite de quinta-feira (12), quando Israel lançou ataques contra bases militares iranianas, acusando Teerã de manter um programa nuclear secreto e estar "próximo" de desenvolver seu primeiro artefato atômico. Desde então, os bombardeios já miraram instalações-chave, como a de Natanz, epicentro do enriquecimento iraniano, e resultaram na morte de figuras militares de alto escalão, incluindo o general Ali Shadmani, chefe do Estado-Maior de Guerra do Irã.
O conflito já ceifou mais de 200 vidas no Irã e pelo menos 24 em Israel, provocando apreensão global sobre a possibilidade de escalada para uma crise nuclear. Em resposta, organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o G7, clamam por cessar-fogo imediato. O secretário-geral da ONU, António Guterres, ressaltou a urgência do diálogo diplomático para evitar que o mundo caminhe para uma catástrofe maior.
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